O navio de cruzeiro MV Hondius, atingido por um surto de hantavírus, chegou às Ilhas Canárias, na Espanha, neste domingo (10). O desembarque dos passageiros e de parte da tripulação começou por volta das 5h30 (horário de Brasília) no porto de Granadilla, em Tenerife. A operação é acompanhada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) após o registro de três mortes a bordo.
Os passageiros são submetidos a exames médicos na embarcação antes de serem transferidos para a costa em pequenos barcos operados pelo Exército espanhol. Segundo a ministra da Saúde da Espanha, Mónica García, os ocupantes permanecem assintomáticos e seguirão em ônibus isolados para o aeroporto de Tenerife Sul, onde embarcam em voos de repatriação. Não há registro de brasileiros entre os passageiros.
Operação de evacuação usa protocolos de isolamento e monitoramento internacional
A retirada ocorre por grupos de nacionalidade, iniciando por 14 cidadãos espanhóis que serão levados a Madri para quarentena obrigatória no Hospital Militar Gómez Ulla.
Grupos de holandeses, alemães e gregos serão evacuados em voos operados pelos Países Baixos, enquanto cerca de vinte britânicos ficarão isolados em um hospital próximo a Liverpool, na Inglaterra.
O cronograma prevê o último voo de evacuação para segunda-feira (11), com destino à Austrália.

A principal hipótese das autoridades é que o surto tenha começado com dois passageiros que visitaram um aterro sanitário no sul da Argentina para observação de pássaros.
Três óbitos foram confirmados: um homem que morreu em 11 de abril, sua esposa, que faleceu em 26 de abril em Joanesburgo, e uma mulher alemã morta em 2 de maio.
Um passageiro britânico de 69 anos permanece internado em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) na África do Sul.
O hantavírus identificado no cruzeiro é uma cepa rara com evidências de transmissão entre humanos. A infecção manifesta-se como Síndrome Cardiopulmonar por Hantavírus (SCPH), apresentando sintomas iniciais de febre, fadiga e dores musculares, podendo evoluir para insuficiência respiratória severa. Não existe tratamento específico para a doença.
O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, afirmou em Tenerife que o risco para a população geral é baixo. “Preciso que me escutem com clareza: isto não é outra covid. O risco atual para a saúde pública derivado do hantavírus continua sendo baixo”, disse o diretor.
Após a conclusão do desembarque, o MV Hondius seguirá para a Holanda para a realização do processo de desinfecção. Saiba mais sobre o hantavírus.
(Essa matéria usou informações de BBC e G1.)
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