Neandertais podem ter usado “cola” como antibiótico natural, sugere estudo

Neandertais podem ter usado “cola” como antibiótico natural, sugere estudo

Um novo estudo publicado na revista PLOS One sugere que os neandertais podem ter desenvolvido uma forma primitiva de cuidado com a saúde. Segundo os pesquisadores, o alcatrão de bétula, uma substância pegajosa amplamente utilizada como cola, pode ter funcionado como um antibiótico natural há mais de 200 mil anos.

A descoberta reforça a ideia de que esses grupos humanos extintos possuíam conhecimentos mais complexos do que se imaginava, incluindo práticas que podem ter ajudado na prevenção de infecções.

Para quem tem pressa:

  • Estudo sugere que neandertais podem ter utilizado o alcatrão de bétula não só como “cola”, mas também com possível função antibacteriana;
  • Em testes de laboratório, a substância demonstrou capacidade de inibir bactérias associadas a infecções de pele, indicando que poderia ajudar na proteção de feridas;
  • A descoberta levanta a hipótese de que esses grupos observavam efeitos práticos dos materiais que usavam, sugerindo formas iniciais de cuidado com a saúde e maior complexidade de comportamento.

Evidências sugerem um conhecimento mais avançado

Representação artística da evolução da inteligência humana. Crédito: frank60 – Shutterstock

O alcatrão de bétula já era conhecido pela ciência por seu uso adesivo. Evidências arqueológicas mostram que os neandertais utilizavam o material para fixar pontas de pedra em ferramentas e armas, tornando-as mais resistentes e eficientes.

Produzir essa substância, no entanto, não é simples. O processo envolve o aquecimento da casca da árvore em condições controladas de pouco oxigênio, reforçando a ideia de um desenvolvimento tecnológico avançado dos neandertais.

Buscando compreender as propriedades medicinais da substância, os cientistas recriaram o alcatrão de bétula usando métodos semelhantes aos que poderiam ter sido utilizados na pré-história e testaram em laboratório contra bactérias.

Os resultados mostraram que o material foi capaz de inibir o crescimento de Staphylococcus aureus, uma bactéria comum associada a infecções de pele e feridas. O efeito antibactericida foi observado independentemente da técnica utilizada na produção do alcatrão.

Por outro lado, o impacto sobre outros microrganismos foi mais limitado, indicando que o efeito pode variar dependendo do tipo de bactéria.

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Crédito: Bruno Capozzi/Olhar Digital (imagem criada por IA/DALL·E)

Embora o estudo não prove diretamente que os neandertais usavam o material com intenção medicinal, os resultados abrem uma possibilidade importante, na qual o contato frequente com a substância pode ter levado à percepção de seus efeitos benéficos.

Ao utilizá-la em diferentes situações, inclusive em possíveis lesões, os neandertais podem ter observado que o material ajudava a proteger a pele ou evitava complicações, ainda que não compreendessem exatamente como isso acontecia.

Os próprios pesquisadores destacam que os testes foram realizados em laboratório, o que significa que os resultados não confirmam diretamente o uso medicinal na pré-história.

Mesmo com essas limitações, a descoberta abre caminho para novas investigações sobre como humanos antigos interagiam com substâncias naturais e como esse conhecimento pode ter influenciado sua sobrevivência.

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