Netflix pode virar o ‘shopping’ dos serviços de streaming

Netflix pode virar o ‘shopping’ dos serviços de streaming

A Netflix pode começar a oferecer serviços rivais dentro do próprio aplicativo. A empresa conversou com Peacock e Fox One sobre o assunto, segundo o The New York Times.

O movimento acompanha uma mudança no mercado: Amazon, YouTube e Roku já trabalham para concentrar diferentes serviços em suas plataformas. A intenção é fazer o usuário permanecer mais tempo no mesmo aplicativo e reduzir cancelamentos.

Conceito de mídia múltiplas telas de televisão
Amazon, YouTube, Roku e Netflix disputam mais do que assinantes: querem ser o primeiro app aberto quando a TV é ligada. – Imagem: simpson33/iStock

Streaming quer virar porta de entrada

A Amazon está à frente dessa corrida. Pelo Prime Video, o usuário pode contratar serviços de outras empresas e assistir aos conteúdos sem sair da plataforma.

O modelo ganhou força nos últimos anos. Dados da empresa de pesquisas Antenna, citados pelo NYT, mostram que as assinaturas feitas por meio de plataformas de terceiros cresceram cerca de 60% em três anos. Elas já representam aproximadamente um terço das novas assinaturas.

A lógica é simples: em vez de abrir vários aplicativos para encontrar o que quer assistir, o consumidor concentra suas escolhas em um só lugar.

Netflix começa a abrir espaço

A Netflix resistiu durante anos à ideia de distribuir serviços concorrentes. Essa posição começou a mudar em junho, quando a empresa passou a oferecer a programação da emissora francesa TF1, incluindo transmissões ao vivo e conteúdo sob demanda.

Greg Peters, co-CEO da Netflix, afirmou que os primeiros resultados foram “muito promissores”. Na mesma ocasião, deixou aberta a possibilidade de novos acordos.

Leia mais:

Se encontrarmos outros acordos que atendam igualmente aos nossos membros, funcionem para nosso parceiro e funcionem para nós, certamente vamos considerá-los.

Greg Peters, co-CEO da Netflix, ao The New York Times.

Peacock e Fox One estão entre os serviços que já discutiram possibilidades com a Netflix. Ainda não há um acordo iminente. Também não está decidido se os conteúdos seriam incorporados ao catálogo ou se a Netflix funcionaria como uma plataforma para contratação dos serviços.

Logos do Youtube, Disney+ e Netflix na tela de um celular
O streaming está virando uma espécie de shopping: uma única plataforma pode concentrar assinaturas e conteúdos de vários serviços. – Imagem: Robert Way/iStock

YouTube e Roku seguem o mesmo caminho

A Netflix não está sozinha nessa mudança.

  • A Amazon já possui dezenas de milhões de assinaturas de outros serviços dentro do Prime Video;
  • O YouTube fechou um acordo de cinco anos para levar o conteúdo do Peacock ao YouTube Premium;
  • O Roku vende assinaturas de serviços externos por meio de seus Canais;

Esse formato também traz problemas. As empresas podem ampliar a audiência e economizar em tecnologia e marketing, mas precisam dividir parte da receita e deixam de controlar totalmente o relacionamento com o assinante.

A disputa entre os streamings, assim, ganha uma nova dimensão. Mais do que conquistar uma assinatura, cada empresa quer ser o serviço que o consumidor procura primeiro quando liga a televisão.

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