Nova plataforma usa hidrogênio para abastecer navios no cais

Nova plataforma usa hidrogênio para abastecer navios no cais

Portos ao redor do mundo podem ganhar uma nova forma de energia sem depender de grandes obras. Segundo o New Atlas, uma plataforma flutuante movida a hidrogênio promete fornecer eletricidade diretamente para navios atracados.

Desenvolvida no Reino Unido, a tecnologia busca acelerar a transição energética no setor marítimo e reduzir emissões nas operações portuárias.

navio atracado em plataforma de reabastecimento com hidrogênio.
Navios atracados podem ser alimentados por uma plataforma flutuante, sem motores a diesel ligados. Imagem: Divulgação/Elire Maritime – Imagem: Divulgação/Elire Maritime

Energia no cais sem esperar anos por obras

Adaptar um porto para receber novas fontes de energia normalmente leva anos. Entre projetos, licenças e obras, o processo é longo e caro. Agora, uma alternativa tenta mudar esse cenário: o Hydrogen Power Hub, uma plataforma flutuante que funciona como uma usina instalada sobre a água.

A ideia não é complexa de entender. É levar energia limpa direto ao navio, enquanto ele está atracado. Sem depender da rede elétrica do porto. Sem escavações. Sem grandes intervenções.

O sistema passou por cerca de seis meses de testes de engenharia e já está liberado para uso comercial.

Uma usina flutuante em módulos

A estrutura é formada por três módulos hexagonais que, juntos, ocupam cerca de 1.200 m². Dentro deles, células de combustível transformam hidrogênio em eletricidade de forma contínua.

O funcionamento combina geração e armazenamento. E isso muda bastante a lógica do sistema:

  • até 5 MW de potência contínua
  • cerca de 91 MWh por semana
  • consumo entre 7.500 e 8.000 kg de hidrogênio semanalmente
  • armazenamento em baterias de 45 MWh

Na prática, a energia fica guardada e é liberada quando o navio precisa. Funciona como um sistema portátil de abastecimento energético.

Navio atracado em plataforma de reabastecimento baseada em hidrogênio.
Solução usa hidrogênio e baterias para funcionar como um “power bank” gigante sobre a água. – Imagem: Divulgação/Elire Maritime

Menos fumaça nos portos

Mesmo parados, muitos navios continuam com motores a diesel ligados para manter sistemas internos funcionando. Isso gera poluição constante nas cidades portuárias.

A proposta da plataforma é reduzir esse cenário. Segundo os dados do projeto, a tecnologia pode cortar até 77% das emissões em comparação com geradores tradicionais, evitando cerca de 47 toneladas de CO₂ por navio a cada semana.

Há também um ponto técnico importante. O hidrogênio é armazenado com materiais nanoporosos, que permitem manter o gás em baixa pressão. Isso aumenta a segurança operacional e simplifica a logística.

O custo ainda é o principal desafio

Apesar dos avanços, a conta ainda pesa. A eletricidade gerada pela plataforma custa entre £0,25 (cerca de R$ 1,70) e £0,50 (cerca de R$ 3,40) por kWh, acima do valor da rede convencional ou do diesel.

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E isso não passa despercebido pelos desenvolvedores. Ainda assim, eles defendem que a flexibilidade compensa parte do custo. A estrutura pode ser montada, deslocada e adaptada conforme a demanda dos portos, sem depender de obras demoradas.

Não é uma solução fixa. É uma solução móvel.

Portos como Londres, Singapura e Hamburgo já acompanham os testes, especialmente porque precisam reduzir emissões sem interromper operações.

Com os testes concluídos e início da fase comercial, a plataforma flutuante movida a hidrogênio surge como uma alternativa real para a descarbonização do setor marítimo. Ainda não é a opção mais barata, mas começa a ganhar espaço justamente por resolver um problema que a infraestrutura tradicional não consegue acompanhar no mesmo ritmo.

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