Pesquisadores da Universidade de Tecnologia do Sul da China anunciaram o desenvolvimento de um motor fotônico alimentado por laser capaz de transmitir informações por luz branca a mais de 1,2 quilômetro. O experimento, divulgado em maio na revista científica Matter, surge como uma das tentativas mais concretas de viabilizar futuras redes 6G integradas à inteligência artificial.
O projeto utiliza um material cerâmico de fabricação simplificada e custo reduzido para superar limitações presentes nos atuais sistemas de comunicação por luz visível. Hoje, tecnologias semelhantes baseadas em LED costumam operar apenas em distâncias curtas, geralmente de poucos metros.
Além de ampliar o alcance da transmissão, a proposta busca abrir caminho para aplicações em ambientes remotos, sistemas aéreos de baixa altitude e redes inteligentes capazes de interpretar movimentos, objetos e sinais em tempo real.
Para quem tem pressa:
- Pesquisadores chineses criaram um motor óptico a laser que transmite dados por luz branca a mais de 1,2 quilômetro;
- A tecnologia pretende ajudar no avanço do 6G, com redes mais rápidas, inteligentes e integradas a satélites e IA;
- O sistema ainda enfrenta limitações técnicas, mas já é tratado como um passo importante para comunicações do futuro.
Tecnologia aposta em luz branca para ampliar capacidade das redes

O estudo descreve um mecanismo fotônico baseado em emissão de luz branca de alta qualidade para transporte de dados em longas distâncias. A estrutura foi projetada para enfrentar obstáculos que ainda dificultam a consolidação do 6G, como custos elevados de infraestrutura, necessidade de estações densamente distribuídas e dificuldade de produção em larga escala.
Segundo os pesquisadores, as futuras redes 6G não devem apenas aumentar a velocidade de transmissão. A expectativa é que dispositivos conectados passem a identificar movimentos, interpretar ambientes e responder de forma automatizada a diferentes situações, ampliando a integração entre comunicação e inteligência artificial.
O grupo responsável pelo trabalho afirma que o novo sistema também pode contribuir para expandir a cobertura de internet em áreas de difícil acesso. A proposta considera integração com satélites posicionados em baixa órbita terrestre para alcançar regiões como desertos, oceanos e áreas montanhosas.
O pesquisador Zhiguo Xia classificou os resultados como um desempenho acima das tecnologias tradicionais de comunicação óptica. Em declaração publicada pela Cell Press, ele afirmou: “Este é realmente um recorde com desempenho atrativo além da tecnologia tradicional“.
Conforme detalhado pelos autores, a base do equipamento é uma cerâmica produzida a partir da mistura de íons de cálcio com compostos químicos utilizados na fabricação de vidro. O método elimina a necessidade de equipamentos industriais de alta pressão, o que pode reduzir custos de produção.

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A equipe também informou que o material consegue dissipar calor cerca de 20 vezes melhor do que resinas de silicone utilizadas em soluções convencionais. Essa característica permite que o sistema suporte níveis mais elevados de potência sem comprometer a estabilidade da transmissão.
Apesar dos avanços, o experimento ainda apresenta restrições técnicas. O mecanismo opera predominantemente na faixa amarela da luz visível e possui baixa emissão de tons vermelhos, fator que reduz sua capacidade de reprodução fiel de cores em determinadas aplicações.
Outro desafio citado pelos pesquisadores envolve a velocidade de transferência de dados. Embora o alcance tenha aumentado significativamente, o desempenho ainda permanece abaixo das taxas observadas em conexões por fibra óptica.
Em entrevista reproduzida pela Cell Press, Xia declarou que os próximos estudos devem concentrar esforços em materiais capazes de emitir luz com respostas mais rápidas e maior flexibilidade de largura de banda.
“A adaptação de links orientada por inteligência artificial pode ajustar dinamicamente a taxa de dados e a potência óptica“, afirmou o pesquisador ao comentar a possibilidade de criar redes 6G mais estáveis e integradas.
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