Nova terapia com cannabis traz esperança para casos de demência

Nova terapia com cannabis traz esperança para casos de demência

Um estudo apresentado na Conferência Internacional da Alzheimer’s Association revelou que uma combinação de THC e CBD reduziu a agitação em pacientes com demência avançada. A pesquisa avaliou uma formulação médica específica, diferente dos produtos comuns vendidos com derivados da cannabis.

O ensaio clínico LiBBY acompanhou 120 participantes e indicou melhora significativa nos sintomas após 12 semanas de tratamento, abrindo uma nova possibilidade para uma população com poucas opções terapêuticas.

idosos alzheimer
Pesquisadores acompanharam idosos com demência para entender o impacto do THC e CBD na agitação. – Imagem: Robert Kneschke/Shutterstock

Pesquisa testou combinação de THC e CBD em idosos

O estudo Life’s end Benefits of cannaBidiol and tetrahYdrocannabinol (LiBBY) foi realizado com pacientes com Alzheimer ou outras formas de demência elegíveis para cuidados paliativos. A pesquisa foi multicêntrica, randomizada, duplo-cego e controlada por placebo, considerado um dos modelos mais rigorosos para avaliar medicamentos.

Os participantes receberam uma suspensão oral com THC e CBD ou um placebo. Nem pacientes, cuidadores ou médicos sabiam quem fazia parte de cada grupo.

Os principais resultados indicaram:

  • Redução de 6,27 pontos nos índices de agitação após duas semanas no grupo tratado com THC/CBD;
  • Manutenção da melhora ao longo de 12 semanas;
  • 87,2% dos participantes tratados apresentaram melhora global, contra 23,6% no grupo placebo;
  • Eventos adversos tiveram frequência semelhante entre os grupos.

Os resultados deste estudo foram extremamente impressionantes e demonstraram um nível de resposta inédito em ensaios clínicos relacionados à demência.

Jacobo Mintzer, co-investigador principal do estudo, em nota.
Resultados indicaram redução dos sintomas já nas primeiras semanas após o início do tratamento. – Imagem: KUMRUEN JITTIMA – Shutterstock

Tratamento busca aliviar sintomas difíceis da demência

A agitação é um dos sintomas mais desafiadores em pessoas com demência avançada. Ela pode envolver inquietação, agressividade, movimentos repetitivos e sofrimento emocional, afetando também familiares e cuidadores.

Medicamentos tradicionalmente usados nesses casos, como opioides, benzodiazepínicos e antipsicóticos, podem apresentar limitações e efeitos colaterais importantes.

A avaliação foi feita pelo Inventário de Agitação de Cohen-Mansfield, ferramenta que analisa 29 comportamentos relacionados ao problema. Os pesquisadores observaram que os benefícios apareceram rapidamente e permaneceram durante o acompanhamento.

Mãos de um idoso com dificuldade para escrever devido à distonia
Agitação e tremores são alguns dos sintomas mais difíceis da demência, afetando pacientes e também seus cuidadores. – Imagem: mapo_japan/Shutterstock

Especialistas alertam sobre produtos de cannabis

Apesar dos resultados positivos, os pesquisadores reforçam que o tratamento estudado não é equivalente aos produtos de THC e CBD disponíveis comercialmente.

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“A medicação utilizada nesta pesquisa foi cuidadosamente formulada, fabricada e administrada sob rigorosa supervisão médica”, afirmou Brigid Reynolds, coinvestigadora principal.

Segundo os pesquisadores, produtos vendidos em dispensários ou pela internet podem apresentar diferenças importantes de composição, qualidade e concentração, o que impede comparações diretas com a formulação usada no ensaio.

O estudo LiBBY indica um caminho promissor para uma área ainda carente de alternativas, mas novas pesquisas serão necessárias antes que a terapia possa ser incorporada amplamente à prática clínica. Os resultados apresentados na conferência reforçam a busca por tratamentos que ofereçam mais conforto e qualidade de vida a pessoas em estágios avançados de demência.

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