Novo aplicativo do ChatGPT é (quase) um sistema operacional

Novo aplicativo do ChatGPT é (quase) um sistema operacional

A OpenAI anunciou não apenas novos modelos do ChatGPT, mas um novo aplicativo do chatbot para computadores, nesta quinta-feira (09). Na demonstração, o programa rodava num Mac, computador da Apple. Mas a empresa informou que a nova versão também vai chegar para Windows, da Microsoft.

Segundo a apresentação da empresa, o aplicativo vai funcionar quase como um sistema operacional em cima do sistema do computador em questão. Em tese, você vai conseguir usar a IA da OpenAI para orquestrar programas e arquivos. Isso por meio de comandos (prompts) que poderão ser escritos ou falados. A equipe fez questão de reforçar que você pode mandar áudios para o ChatGPT, tanto no celular quanto no computador.

O novo aplicativo está disponível globalmente, inclusive para quem apenas tem uma conta para usar o ChatGPT – isto é, não assina nenhum plano (os chamados “usuários gratuitos”).

Como é o novo aplicativo do ChatGPT para computadores

Entre os destaques do novo aplicativo do ChatGPT para computadores, estão:

  • Novos recursos de execução (Computer Use e Navegador Embutido): Exclusivamente no desktop, o ChatGPT agora conta com um navegador integrado para abrir e refinar arquivos (como Google Workspace e Microsoft 365) e a função “Computer Use”, que permite ao agente executar tarefas em segundo plano no seu computador (clicar, digitar e mover arquivos);
  • Unificação com o Codex: O aplicativo Codex, voltado para desenvolvedores, foi embutido no novo aplicativo. Os desenvolvedores podem manter o Codex como visualização padrão e usar seu ícone se preferirem;
  • Renomeação da versão antiga: A versão anterior do aplicativo de computador passa a se chamar “ChatGPT Classic”.

Quem usava o aplicativo do Codex não vai precisar baixar outro aplicativo. Basta atualizar o programa normalmente como você já fazia. O aplicativo do Codex será convertido automaticamente no novo aplicativo do ChatGPT para desktop. E você vai poder manter o visual e o ícone antigos do Codex, se preferir. Já quem usava o aplicativo padrão do ChatGPT para computador vai precisar migrar para a versão atualizada, sim. Isto é, baixar o novo aplicativo.

Usando seu computador para você

Afinal, o que dá para fazer por meio desse novo aplicativo? Um dos exemplos mais prosaicos mostrados na apresentação foi pedir para o ChatGPT organizar o aplicativo Notas. Andrew Ambrosino, que encabeça a área de produtos na OpenAI, pediu para a IA essencialmente “colocar ordem no caos”.

Captura de tela de apresentação da OpenAI que mostrou ChatGPT organizando aplicativo Nota num Mac
ChatGPT consegue organizar o aplicativo Notas no Mac, por exemplo – Imagem: Reprodução/OpenAI

Em seguida, o ChatGPT começou a mexer no aplicativo para ele, criando pastas e tags. Enquanto fazia isso, a IA usou um cursor próprio. Assim, Ambrosino podia focar em outra tarefa – no ChatGPT, inclusive – enquanto a IA fazia o que ele tinha pedido. É como se duas pessoas usassem o computador ao mesmo tempo.

É um caso que elucida a capacidade do novo aplicativo em usar o computador do usuário por ele, para ele. O navegador embutido e o “Computer Use” são os motores que fazem o ChatGPT ir de assistente conversacional para agente autônomo capaz de executar trabalho operacional na sua máquina.

Em vez de depender, por exemplo, do Chrome ou do Edge, o novo aplicativo do ChatGPT vem com um navegador de internet próprio, que roda de forma integrada no ecossistema da IA.

O que ele faz é, essencialmente, permitir que o ChatGPT navegue de forma independente pela internet, acesse ferramentas baseadas na nuvem, consulte sites e abra arquivos diretamente em plataformas como Google Workspace (Docs, Planilhas, Slides) e Microsoft 365 (Word, Excel).

Na prática, deve funcionar assim: você não vai precisar baixar uma planilha do Google Drive, fazer o upload no chat, pedir a alteração e depois subir o arquivo de volta para a nuvem. O ChatGPT vai abrir a planilha no navegador embutido dele, fazer as edições, pesquisa referências na web em tempo real em outra aba interna e atualizar o arquivo diretamente na nuvem enquanto você acompanha o resultado na tela.

Já o “Computer Use” concede à IA da OpenAI a capacidade de interagir diretamente com a interface do seu sistema operacional. É a parte mais “usar seu computador para você” entre as novidades anunciadas pela OpenAI.

Por meio dessa nova capacidade, o ChatGPT vai conseguir “ver” o que está na sua tela e simular ações humanas, como clicar com o ponteiro do mouse, digitar textos em campos vazios e arrastar ou mover arquivos entre pastas e programas locais.

Se você pedir, por exemplo, algo como “pegue o relatório em PDF na minha pasta de Downloads, extraia os dados e preencha o sistema de CRM que está aberto na minha tela”, o “Computer Use” assume o controle em segundo plano. Ele localiza o arquivo no seu disco rígido, abre o PDF, lê as informações, clica nas caixas de texto do seu CRM e digita os dados por conta própria. É parecido com o exemplo dado por Ambrosino na demonstração da empresa.

Dar o controle do computador para uma IA não é trivial. A OpenAI diz ter estruturado essas duas novas capacidades sob três pilares:

  • Execução em segundo plano: O agente pode executar tarefas complexas de clique e digitação em background. Isso significa que ele pode passar horas dividindo um objetivo grande em microetapas e executando-as enquanto você faz outra coisa;
  • Agendamento e gatilhos: Você pode configurar o “Computer Use” e o navegador para agirem sozinhos sob condições específicas. Por exemplo: “Toda segunda-feira às 8h, use o navegador para checar as mensagens do Slack, abra o Excel local do computador e monte o relatório da semana”;
  • Supervisão humana: Você define os limites. É possível configurar o aplicativo para que ele execute as ações de forma 100% autônoma ou para que ele pare e peça a sua aprovação explícita na tela antes de clicar em botões cruciais (como enviar um e-mail ou deletar um arquivo).

Essa orquestração do aplicativo é movida pelo ChatGPT Work e o GPT-5.6 (modelos Sol, Terra e Luna), todos lançados nesta quinta-feira também. Para que o agente funcione, o usuário conecta suas ferramentas de trabalho (como Slack, Teams e Google Drive) por meio de um novo diretório unificado de plugins. O “@” na caixa de texto permite que a IA tenha o contexto completo e transite dados entre a nuvem e os arquivos locais de forma autônoma.

Criando sites e aplicativos

Captura de tela de apresentação da OpenAI que mostrou ChatGPT criando site
Por meio do recurso Sites, ChatGPT pega conversas, dados e códigos e os apresenta numa interface – Imagem: Reprodução/OpenAI

O novo aplicativo traz outra novidade, batizada de Sites. Por meio desse recurso (atualmente em fase beta pública), o ChatGPT pega conversas, dados e códigos e os apresenta numa interface visualmente interativa. Ou seja: em vez de entregar blocos de texto ou arquivos brutos, a IA estrutura as informações na forma de um site ou aplicativo.

A ideia, aparentemente, é permitir que usuários montem ferramentas operacionais sem precisar programar (é parecido ao que o Google mostrou entre as novidades do Modo IA da sua Busca). Na prática, você pode pedir para a IA criar, por exemplo, dashboards, calendários de lançamentos e versões interativas de relatórios. O ChatGPT constrói a página e você consegue testar e interagir com o resultado dentro da interface do aplicativo.

A IA pode atualizar esses sites automaticamente sempre que as informações de origem (como uma planilha conectada ou mensagens de equipe) mudarem em segundo plano. Além disso, a ferramenta gera uma URL para que você possa compartilhar o site interativo ou o protótipo gerado de forma privada com o seu time ou publicamente na internet.

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