Cientistas revelaram um retrato inédito e de detalhes sem precedentes do continente escondido sob a grossa camada de gelo da Antártida. O novo mapa é resultado de uma técnica inovadora que promete revolucionar a compreensão sobre como a massa de gelo do polo sul responderá ao aquecimento global, com implicações diretas para a previsão do aumento do nível do mar. As informações são da BBC.
Até agora, sabia-se mais sobre a topografia de outros planetas do que sobre o leito rochoso da Antártida, enterrado sob até cinco quilômetros de gelo. Os métodos tradicionais de radar, feitos a partir de aviões ou veículos terrestres, só forneciam informações isoladas, como “voos ocasionais separados por vários quilômetros” sobre uma cadeia montanhosa, nas palavras do glaciologista Robert Bingham, coautor do estudo. Nos últimos anos, alguns mapas tentam desvendar os segredos do continente gelado.
A grande inovação da equipe internacional foi fundir dados de satélite sobre a superfície do gelo com o conhecimento físico de como ele flui. “É um pouco como andar de caiaque em um rio: pedras submersas criam redemoinhos na superfície”, explicou à BBC a principal autora, Helen Ockenden, da Universidade Grenoble-Alpes. “Quando o gelo flui sobre uma colina no leito rochoso, isso se reflete na topografia da superfície.”
Leia mais:
- Como seria a Antártida se todo o gelo derretesse?
- Gelo mais antigo já encontrado guarda bolhas de milhões de anos
- Cientistas acham mais de mil “covas” no fundo do mar da Antártida
A abordagem trouxe uma resolução dramática. “É como se antes você tivesse uma câmera analógica com imagem granulada e agora tivesse uma imagem digital bem ampliada”, comparou Ockenden. O resultado é a revelação de dezenas de milhares de colinas, cristas e vales anteriormente desconhecidos. Uma das descobertas mais impressionantes é um imenso canal na Bacia Subglacial de Maud, com cerca de 400 km de extensão, 6 km de largura e 50 metros de profundidade média.

Lacunas sobre o gelo da Antártida podem ser preenchidas
Para a comunidade científica, o mapa é uma ferramenta transformadora. “É um produto realmente muito útil. Ele nos dá a oportunidade de preencher as lacunas”, avaliou Peter Fretwell, pesquisador do British Antarctic Survey, que não participou do estudo. O relevo detalhado é crucial porque montanhas e vales subglaciais controlam a velocidade do fluxo e o potencial recuo das geleiras.
A pesquisa, portanto, vai além da cartografia. Ela fornece a base topográfica essencial para aprimorar os modelos climáticos que tentam prever um dos maiores fatores de incerteza do sistema terrestre: a velocidade e a magnitude do degelo antártico e sua contribuição para a elevação dos oceanos no futuro. O estudo foi publicado na revista Science.
O post Novo mapa de alta resolução desvenda o continente oculto sob o gelo da Antártida apareceu primeiro em Olhar Digital.