Um novo mapa-múndi está colocando em dúvida uma representação do planeta usada há séculos. A projeção Equal Earth mostra a África em proporções mais próximas de sua área real e reduz distorções presentes no tradicional mapa de Mercator.
A discussão ganhou força após uma resolução apresentada pelo Togo na ONU para eliminar gradualmente o uso da projeção tradicional e adotar uma representação que mostre melhor a escala dos territórios. A decisão não é obrigatória e envolve também a maneira como percebemos tamanho, poder e território.

Por que a África parece menor?
A projeção de Mercator aumenta visualmente as regiões próximas aos polos e reduz proporcionalmente aquelas próximas ao Equador. Por isso, a África aparece menor, enquanto América do Norte e Eurásia ocupam mais espaço em relação à área real.
Na comparação com o mapa tradicional, o Equal Earth mostra a África ocupando quase o dobro da proporção de área terrestre. Para quem cresceu vendo a mesma representação, a diferença pode causar estranhamento.
Eromo Egbejule, correspondente do The Guardian na África Ocidental, considera que a questão é científica, e não uma imposição ideológica. “Esta é uma discussão científica. Não é uma imposição.”
O tamanho muda a percepção
A distorção também aparece na representação da Groenlândia. No mapa de Mercator, a ilha parece ter tamanho semelhante ao da África, embora seja 14 vezes menor.
O texto relata que o interesse de Donald Trump pela Groenlândia teria sido influenciado pelo tamanho exagerado da ilha na projeção tradicional. Trump chegou a descrevê-la como “massiva”.
Entre os principais pontos do debate estão:
- A África aparece proporcionalmente menor na projeção de Mercator;
- A Groenlândia parece muito maior do que realmente é;
- A resolução da ONU não obriga os países a trocar seus mapas;
- Os Estados Unidos foram o único país a vetar a resolução;
- Seis países se abstiveram.

Uma mudança que vai além do mapa
Para Egbejule, a importância da iniciativa está no precedente que ela pode criar. Ele cita dois provérbios em pidgin: “toda dança começa com uma palma” e “são os grãos de arroz que enchem a panela”.
O debate se soma a outras iniciativas que questionam interpretações históricas e culturais estabelecidas. O texto menciona uma resolução da ONU sobre o tráfico transatlântico de escravizados, também apresentada por um país africano.
A representação dos territórios, nesse debate, também ganha significado simbólico. Segundo a análise apresentada, a maneira como os países aparecem nos mapas pode reforçar associações entre tamanho territorial, importância econômica e poder político.
O que aprendemos com os mapas?
A questão aparece ainda em meio às preocupações com redes sociais e inteligência artificial, que influenciam a maneira como informações e acontecimentos são percebidos.
A Africa No Filter, organização participante da campanha pela mudança dos mapas, resumiu a questão: “Se erramos algo tão básico quanto o tamanho da África durante tanto tempo, o que mais sobre a África simplesmente aceitamos sem questionar?”
O território não muda quando a projeção muda. O que muda é a forma de representá-lo — e, com ela, uma referência visual que ajudou a formar a imagem do mundo para várias gerações.
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