A Nvidia divulgou nesta quarta-feira (20) os resultados do primeiro trimestre fiscal acima das expectativas do mercado. A companhia registrou receita de US$ 81,62 bilhões no período, superando a estimativa de US$ 78,86 bilhões. O lucro ajustado por ação ficou em US$ 1,87, também acima da projeção de US$ 1,76.
Após a divulgação do balanço, as ações da empresa tiveram pouca variação no after market. A teleconferência com analistas começou às 18h (horário de Brasília), quando investidores acompanharam comentários do CEO Jensen Huang e da diretora financeira Colette Kress sobre demanda por inteligência artificial e novos mercados. As informações são do CNBC.

Receita da Nvidia cresce 85% em um ano
Segundo a companhia, a receita avançou 85% na comparação anual, passando de US$ 44,06 bilhões para US$ 81,62 bilhões. O segmento de data centers permaneceu como principal motor de crescimento da empresa, com receita recorde de US$ 75,2 bilhões, alta de 92% em um ano.
A Nvidia informou que o lucro líquido atingiu US$ 42,96 bilhões, ou US$ 1,76 por ação. Um ano antes, o resultado havia sido de US$ 18,8 bilhões, equivalente a 76 centavos por ação.
Em comunicado, o CEO Jensen Huang afirmou que a expansão da infraestrutura voltada para inteligência artificial segue acelerando. “A construção de fábricas de IA, a maior expansão de infraestrutura da história humana, está acelerando em velocidade extraordinária”, disse o executivo.
Huang também afirmou que a chamada “IA agêntica” já está sendo utilizada para executar trabalhos produtivos e gerar valor em empresas e setores.
Hyperscalers impulsionam receita de data centers
Durante a teleconferência, a diretora financeira Colette Kress afirmou que empresas hyperscalers responderam por mais da metade da receita da divisão de data centers da Nvidia. Hyperscalers são grandes empresas de tecnologia que operam enormes infraestruturas de computação em nuvem e data centers em escala global, como Amazon, Microsoft e Google.
Segundo a executiva, esse segmento gerou US$ 38 bilhões em receita, alta de 12% na comparação trimestral. Outros US$ 37 bilhões vieram de uma divisão chamada ACIE, ligada a nuvens de IA, indústria e mercado corporativo. Kress também disse que a receita relacionada a serviços de nuvem com inteligência artificial mais do que triplicou em relação ao mesmo período do ano passado.
A Nvidia afirmou ainda estar ajudando a acelerar a implementação de capacidade computacional de IA em mais de 80 data centers acima de 10 megawatts.
Guidance para o próximo trimestre supera projeções
A Nvidia também apresentou uma previsão de receita acima das expectativas para o segundo trimestre fiscal. A companhia estima uma variação de aproximadamente 2% para mais ou para menos em relação à projeção. A empresa estima alcançar US$ 91 bilhões em receita no período, enquanto analistas consultados pela LSEG projetavam US$ 86,84 bilhões.
De acordo com a companhia, a projeção não considera receitas de computação para data centers na China.
Outro indicador acompanhado pelo mercado, a margem bruta, ficou em 75%, em linha com as expectativas de analistas consultados pela StreetAccount. O índice também permaneceu no mesmo nível do quarto trimestre fiscal anterior.
A empresa afirmou que espera manter a margem bruta nesse patamar no trimestre atual.
Durante a conferência, Colette Kress afirmou que a demanda por infraestrutura de IA segue aquecida. Segundo a executiva, o preço de aluguel das GPUs H100 subiu 20% desde o início do ano, enquanto os modelos A100 tiveram alta próxima de 15% em serviços de nuvem.
Kress disse ainda que clientes seguem gerando receita com os chips além do período tradicional de depreciação dos equipamentos.
Nvidia amplia recompra de ações
O conselho da Nvidia autorizou mais US$ 80 bilhões para recompra de ações. A companhia também anunciou aumento no dividendo trimestral em dinheiro, que passou de 1 centavo para 25 centavos por ação.
A fabricante de chips informou ainda ter gerado US$ 48,6 bilhões em fluxo de caixa livre no trimestre. No período anterior, o valor havia sido de US$ 34,9 bilhões, enquanto um ano antes somava US$ 26,1 bilhões.
Em documento corporativo relacionado ao balanço, a Nvidia também informou ter investido US$ 18,6 bilhões em empresas privadas e fundos de infraestrutura durante o primeiro trimestre fiscal.
Segundo a companhia, parte desses investimentos envolve desenvolvedoras de modelos de inteligência artificial que podem utilizar produtos da Nvidia em serviços de nuvem.
Nvidia quer ampliar presença no mercado de CPUs
Durante a teleconferência, a diretora financeira Colette Kress afirmou que a Nvidia pretende se tornar a “principal fornecedora de CPUs do mundo”, em um mercado atualmente dominado por Intel e AMD.
Segundo a executiva, a nova CPU Vera abre uma oportunidade de mercado de US$ 200 bilhões para a companhia. Kress afirmou ainda que “todos os principais hyperscalers e fabricantes de sistemas” estão trabalhando com a Nvidia para implementar a tecnologia.
A empresa projeta alcançar US$ 20 bilhões em receita com CPUs neste ano.

Durante o trimestre, a Nvidia também apresentou a plataforma Vera Rubin, que inclui a nova Vera CPU, descrita pela companhia como seu primeiro processador desenvolvido especificamente para agentes de inteligência artificial.
Até agora, a Nvidia liderou o avanço da inteligência artificial principalmente com suas GPUs, chips voltados para processamento paralelo usado no treinamento de modelos de IA. Segundo a companhia, a expansão da chamada IA agêntica também está impulsionando novamente o mercado de CPUs.
Nvidia comenta conflito no Oriente Médio
A Nvidia afirmou em documento regulatório 10-Q que sua cadeia global de suprimentos ainda não sofreu impactos significativos relacionados à instabilidade no Oriente Médio.
A empresa citou suas operações em Israel, que contam com aproximadamente 5,9 mil funcionários nas áreas de pesquisa, desenvolvimento, operações, vendas e marketing.
Apesar disso, a companhia alertou que uma eventual escalada do conflito pode afetar desenvolvimento de produtos, cadeia de suprimentos, receitas e gerar incertezas para os negócios.
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