Fabricantes de painéis solares nos Estados Unidos estão desenvolvendo uma nova tecnologia que pode aumentar em até 25% a geração de energia dos equipamentos atuais. Chamada de solar tandem, a solução combina duas ou três camadas de materiais para aproveitar uma parcela maior da radiação solar e começa a avançar em direção à comercialização.
Empresas como Tandem PV, First Solar e Hanwha Qcells afirmam estar próximas de colocar os primeiros modelos no mercado, após testes e certificações técnicas. O avanço ocorre em um setor no qual a China responde por cerca de 80% do mercado mundial de painéis solares, seja diretamente pelos equipamentos ou por seus componentes. As informações são do The New York Times.
Como funcionam os painéis tandem
A tecnologia acrescenta camadas de materiais às células solares convencionais, que normalmente utilizam uma única camada de silício. A estrutura permite que diferentes materiais aproveitem partes distintas da radiação solar, aumentando a quantidade de eletricidade produzida pelo painel.
A Qcells, empresa sul-coreana que comprou a fabricante alemã Qcells em 2012, testa seus painéis em laboratório na Alemanha e em áreas externas nos Estados Unidos, Austrália, Chipre e Coreia do Sul.
Os equipamentos passam por diferentes situações para verificar sua resistência. Entre os procedimentos estão a exposição a luzes de LED e testes com pedaços de gelo disparados contra os painéis, simulando condições de granizo. A intenção é avaliar se os dispositivos podem manter seu desempenho durante os 20 a 30 anos esperados de funcionamento.
Fabian Fertig, responsável pela pesquisa e desenvolvimento de painéis tandem da Qcells, explicou ao NYT que a estabilidade é um dos principais pontos para convencer empresas de energia, investidores e instituições financeiras a apostar na tecnologia.
Custo ainda é um obstáculo
Apesar do potencial de geração maior, os painéis tandem ainda precisam superar uma barreira importante: o preço. Algumas estimativas indicam que eles podem custar de três a três vezes e meia mais que os painéis convencionais.
Segundo relatório da Solar Energy Industries Association, a compra e instalação de painéis convencionais para usinas solares nos Estados Unidos custa entre US$ 0,93 e US$ 1,06 por watt. A diferença de preço pode ser decisiva para a adoção da nova tecnologia, especialmente diante dos valores praticados por fabricantes chineses.
Andrés Gluski, CEO da empresa de energia AES, afirmou ao jornal que o custo será fundamental para determinar o sucesso dos painéis tandem. A capacidade de produção da China também representa um desafio para fabricantes de outros países.
Tecnologia ainda precisa provar durabilidade
Outro ponto de atenção é a degradação dos painéis ao longo do tempo. Empresas de energia tendem a ser cautelosas na adoção de tecnologias novas, especialmente quando os equipamentos precisam permanecer funcionando durante décadas.
A Tandem PV, da Califórnia, afirma ter testado seus painéis em diferentes condições nos Estados Unidos durante o último ano e registrou menos de 1% de degradação anual, segundo seu CEO, Scott Wharton.
A Qcells, por sua vez, tornou-se a primeira fabricante a produzir um painel tandem certificado de forma independente segundo padrões estabelecidos pela Underwriters Laboratories e pela International Electrotechnical Commission.
Mais energia usando menos espaço
Além de aumentar a produção de eletricidade, os painéis tandem podem permitir que usinas solares gerem a mesma quantidade de energia utilizando menos área e materiais. Executivos do setor estimam que os equipamentos possam alcançar fatores de capacidade superiores a 31%, enquanto a média das usinas solares nos Estados Unidos é de aproximadamente 24%.

O avanço também ocorre em um momento de expansão da demanda por eletricidade no país. Segundo dados da Energy Information Administration, a energia solar respondeu por quase 9% da eletricidade produzida nos Estados Unidos em 2025, contra 3% em 2020.
Para fabricantes do país norte-americano, desenvolver a tecnologia antes que empresas chinesas alcancem o mesmo estágio poderia ajudar a recuperar espaço na indústria. Ainda assim, a adoção em larga escala dependerá dos custos e de testes independentes que comprovem a confiabilidade e a durabilidade dos novos painéis.
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