OpenAI administrada por uma IA? Sam Altman não descarta essa possibilidade

OpenAI administrada por uma IA? Sam Altman não descarta essa possibilidade

Sam Altman é, hoje, um dos maiores nomes do setor de inteligência artificial. Cofundador e CEO da OpenAI, que praticamente iniciou a corrida da IA ao lançar o ChatGPT em 2022, Altman tem planos ousados para o futuro, que incluem dispositivos físicos, modelos de linguagem mais avançados e até a entrada na bolsa de valores.

Em entrevista à revista Forbes, o executivo deixou claro que o principal objetivo da desenvolvedora continua sendo a busca pela inteligência artificial geral (AGI, na sigla em inglês), um sistema capaz de raciocinar e aprender de forma semelhante à humana.

Segundo ele, todas as apostas estratégicas da companhia, dos modelos de linguagem à infraestrutura, passam por essa ambição de longo prazo. “Estou 110% focado na OpenAI e na missão de AGI”, afirmou, ao comentar críticas internas e externas de que a desenvolvedora estaria dispersa demais em múltiplos projetos.

Altman não descarta que, no futuro, a própria OpenAI possa ser gerida por uma IA.

Logo da OpenAI em um smartphone
Para além de Altman, OpenAI é um dos nomes mais influentes do setor de IA (Imagem: Thrive Studios ID/Shutterstock)

Inteligência artificial geral como missão central

Altman reconhece que o conceito de inteligência artificial geral é difícil de definir e ainda mais complexo de alcançar. Em oportunidades anteriores, ele havia afirmado que a OpenAI já construiu a AGI, “ou algo muito próximo disso”.

Nem todo mundo concorda. Satya Nadella, CEO da Microsoft (com a qual a desenvolvedora tem relação próxima), acredita que não estamos nem perto da AGI.

Após o comentário, Sam Altman recuou parcialmente, dizendo que chegar à inteligência artificial geral ainda exige muitos avanços de médio porte. Mesmo assim, ele acredita que não será necessário um “grande avanço”, apenas incrementos no que já temos agora – e que está 110% focado nisso.

Para o CEO, a corrida rumo à AGI passa necessariamente por escala massiva de computação. Ele defende investimentos trilionários em chips e data centers, estimando gastos de até US$ 1,4 trilhão ao longo dos próximos oito anos.

Essa visão explica por que Altman também investe em empresas ligadas à geração de energia, como a Helion, focada em fusão nuclear, e a Oklo, que desenvolve pequenos reatores de fissão. A lógica, segundo ele, é garantir fontes energéticas capazes de sustentar a demanda crescente da IA.

OpenAI fechou a compra da io, para desenvolver o “ChatGPT físico” (Imagem: Thrive Studios/Shutterstock)

Dispositivos físicos também estão nos planos da OpenAI

Outro pilar do futuro da OpenAI envolve a criação de novas interfaces para a inteligência artificial. A empresa adquiriu a startup de hardware de Jony Ive, a io, por US$ 6,5 bilhões, em um movimento que sinaliza a ambição de ir além das telas tradicionais.

Altman descreveu à Forbes a ideia de dispositivos com “consciência contextual extrema e assistência proativa”, capazes de se integrar de forma natural à vida cotidiana. É o que estamos chamando de “ChatGPT físico”.

Mas ele admite que o risco é alto.

Pode ser um fracasso. Não foram muitas as vezes na história em que as pessoas descobriram uma interface de computação fundamentalmente nova.

Sam Altman, CEO da OpenAI, à Forbes

Além do ChatGPT e do Sora, a OpenAI trabalha em um chip próprio de IA, avalia a criação de uma rede social e estuda aplicações como robôs humanoides industriais.

Para críticos, esse leque amplo serviria para tornar a empresa “grande demais para quebrar”. O presidente do conselho da OpenAI, Bret Taylor, rebateu essa leitura à Forbes: “Não acho que exista algum plano secreto. As pessoas estão apenas muito entusiasmadas com o impacto da IA na humanidade.”

Internamente, parte da equipe demonstra preocupação com o ritmo acelerado e com a concorrência crescente, especialmente após a recepção morna ao GPT-5. Ainda assim, Altman segue confiante de que a estratégia de lançar produtos rapidamente é essencial.

inteligencia artificial
AGI segue no centro das ambições da OpenAI (Imagem: tadamichi/Shutterstock)

OpenAI nas mãos da IA

Questionado sobre o que vem depois da AGI, Sam Altman foi além: disse que considera plausível que, no futuro, a própria OpenAI seja administrada por um sistema de IA.

“Se o objetivo é que a inteligência artificial se torne capaz de administrar empresas, então por que não a minha?”, afirmou. “Eu nunca ficaria no caminho disso.”

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