O ataque cibernético considerado “sem precedentes”, realizado por modelos de inteligência artificial (IA) da OpenAI contra a plataforma Hugging Face, envolveu etapa adicional que não havia sido divulgada inicialmente.
Segundo informações publicadas pela Reuters nesta terça-feira (28), as IAs da empresa invadiram primeiro a infraestrutura de um cliente da Modal Labs antes de conseguirem comprometer o ambiente da Hugging Face.
De acordo com a reportagem, a infraestrutura de um cliente da Modal Labs serviu como ponto intermediário para que os modelos de IA da OpenAI alcançassem o sistema da Hugging Face, plataforma amplamente utilizada para compartilhamento de modelos de IA.
Em comunicado, o diretor de tecnologia da Modal Labs, Akshat Bubna, explicou que o incidente envolveu um ambiente configurado incorretamente por um cliente da empresa. “Estamos cientes de que um cliente da Modal publicou um ponto de acesso sem autenticação que permitia a qualquer pessoa na internet usar seus ambientes isolados de execução de código”, afirmou.
Na segunda-feira (27), a Hugging Face já havia informado que um agente malicioso explorou um ambiente de testes controlado hospedado por um provedor terceirizado, mas sem revelar qual empresa era responsável pela infraestrutura.
Segundo a plataforma, esse ambiente acabou sendo transformado em uma base para novos ataques, permitindo que o invasor permanecesse com acesso à infraestrutura da empresa durante aproximadamente dois dias e meio.
A Modal Labs afirmou que a exploração ocorreu exclusivamente na conta do cliente afetado e destacou que sua plataforma principal não foi comprometida.

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Como aconteceu a invasão
- A OpenAI revelou recentemente que o GPT-5.6 Sol, lançado no início de julho, e outro modelo de IA ainda não anunciado conseguiram invadir um ambiente de pesquisa da Hugging Face durante testes internos de segurança;
- A própria Hugging Face já havia informado, no último dia 16, que detectou uma invasão conduzida por um agente de IA;
- Segundo a empresa, o ataque permitiu acesso indevido a dados e credenciais internas;
- O incidente ocorreu durante experimentos realizados pela OpenAI para avaliar a capacidade de seus modelos de encontrar vulnerabilidades em sistemas computacionais;
- Esses testes costumam ser executados em ambientes controlados, utilizando versões dos modelos sem diversas das proteções normalmente presentes nas versões disponibilizadas ao público.
Em seu comunicado, a OpenAI afirmou que o GPT-5.6 Sol e outro sistema ainda não lançado atuaram em conjunto para identificar vulnerabilidades tanto no ambiente de pesquisa utilizado durante os testes quanto na infraestrutura da Hugging Face.
Segundo a Hugging Face, sua plataforma executou dois códigos enviados pelo agente de IA. A partir daí, o sistema conseguiu elevar seus privilégios dentro da infraestrutura da empresa e obter credenciais que permitiram atacar outros sistemas internos.
Ataques conduzidos por IA podem se tornar mais comuns
Ao divulgar o episódio, a OpenAI afirmou que esse tipo de invasão tende a se tornar cada vez mais frequente à medida que modelos de IA especializados em cibersegurança evoluem. “Consideramos este um incidente cibernético sem precedentes, envolvendo recursos de última geração”, afirmou a empresa.
A Hugging Face também avaliou que o episódio representa um alerta para um cenário que especialistas em segurança já vinham prevendo: o crescimento de ataques conduzidos por agentes de IA. “Foi diferente de tudo que havíamos enfrentado antes”, declarou a companhia em sua primeira manifestação pública sobre o incidente.
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