A OpenAI está concentrando seus esforços em inteligência artificial de áudio, com planos que vão muito além de aprimorar a voz do ChatGPT. Informações recentes do The Information indicam que a empresa unificou diversas equipes de engenharia, produto e pesquisa nos últimos dois meses para reformular seus modelos de áudio. O objetivo é preparar o terreno para um dispositivo pessoal focado em áudio, com lançamento previsto para daqui a aproximadamente um ano.
Tendência da indústria
Essa movimentação reflete uma tendência mais ampla na indústria de tecnologia: um futuro onde as telas perdem protagonismo e o áudio assume o centro do palco. Assistentes de voz já são uma realidade em mais de um terço dos lares americanos, impulsionados por caixas de som inteligentes.

Grandes nomes da tecnologia já estão explorando essa direção:
- Meta: lançou um recurso para seus óculos inteligentes Ray-Ban que utiliza um conjunto de cinco microfones para aprimorar a audição em ambientes ruidosos, transformando o dispositivo em um sistema de escuta direcional.
- Google: experimenta desde junho com “Audio Overviews”, que convertem resultados de busca em resumos conversacionais.
- Tesla: planeja integrar o chatbot Grok da xAI em seus veículos, criando um assistente de voz conversacional que gerenciará desde a navegação até o controle climático por meio de diálogo natural.
Startups e dispositivos do futuro
Não são apenas as gigantes que investem nessa aposta. Um grupo diversificado de startups também emergiu com a mesma convicção, embora com graus variados de sucesso. A Humane AI Pin, um vestível sem tela, consumiu centenas de milhões antes de se tornar um alerta sobre os desafios desse mercado. O colar Friend AI, que promete gravar a vida do usuário e oferecer companhia, gerou preocupações com privacidade e, para alguns, até crise existencial. Agora, pelo menos duas empresas, incluindo a Sandbar e uma liderada por Eric Migicovsky (fundador da Pebble), estão desenvolvendo anéis com IA, com previsão de lançamento em 2026, que permitirão aos usuários interagir com a inteligência artificial diretamente pela mão.

Apesar das diferentes formas dos dispositivos, a tese central permanece a mesma: o áudio é a interface do futuro. Cada espaço, sua casa, seu carro, e até mesmo seu rosto, está se transformando em uma superfície de controle interativa.
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Inovações da OpenAI
O novo modelo de áudio da OpenAI, esperado para o início de 2026, promete uma sonoridade mais natural, a capacidade de gerenciar interrupções como em uma conversa real e até mesmo falar enquanto o usuário está falando, algo que os modelos atuais ainda não conseguem. A empresa também estaria vislumbrando uma família de dispositivos, que pode incluir óculos ou caixas de som inteligentes sem tela, que atuariam mais como companheiros do que como meras ferramentas.

Essa direção não é uma surpresa. Conforme destacado por The Information, Jony Ive, ex-chefe de design da Apple, que se juntou aos esforços de hardware da OpenAI após a aquisição de sua empresa io por US$ 6,5 bilhões em maio, tem como prioridade a redução do vício em dispositivos. Ele enxerga o design focado em áudio como uma oportunidade para “corrigir os erros” dos gadgets de consumo do passado.
Essa matéria também usou informações do Tech Crunch.
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