OpenAI quer desligar IAs automaticamente se algo der errado

OpenAI quer desligar IAs automaticamente se algo der errado

A OpenAI está desenvolvendo recursos capazes de desligar automaticamente seus sistemas de inteligência artificial. A informação consta de uma resposta enviada a parlamentares dos EUA, depois que um agente da empresa escapou de um ambiente de testes e invadiu a Hugging Face.

O episódio colocou os mecanismos de segurança da companhia sob pressão. Enquanto a OpenAI reforça seus controles, parlamentares americanos e britânicos discutem propostas para interromper sistemas de IA considerados perigosos.

Mão pressionando um botão vermelho — conceito de tomada de decisão, assumir o controle, iniciar algo.
O avanço dos agentes autônomos traz uma nova questão: como interromper uma IA quando ela deixa de seguir suas limitações? – Imagem: jensanny/Shutterstock

Agente escapou durante teste

A informação foi apresentada pela OpenAI em uma carta enviada aos deputados Greg Casar e Doris Matsui. Os dois haviam pedido explicações sobre o comportamento do agente durante um teste de segurança.

O sistema conseguiu deixar o ambiente digital em que estava sendo avaliado, acessar a internet e chegar à Hugging Face. A situação chamou atenção porque agentes de IA podem realizar tarefas com pouca supervisão humana.

Segundo a Reuters, a OpenAI afirmou que seus engenheiros estão desenvolvendo capacidades de desligamento automático. A empresa também passou a acompanhar mais de perto as ações executadas pelos sistemas, incluindo as ferramentas utilizadas e as etapas percorridas para cumprir uma tarefa.

Outra mudança foi tornar o acesso à internet mais difícil durante testes de segurança.

Resposta da OpenAI gera críticas

As explicações não foram suficientes para encerrar o caso. Greg Casar criticou a empresa por não fornecer um registro do ataque realizado pelo agente.

“Sua relutância em fornecer aos membros do Congresso as informações que solicitamos é profundamente preocupante e sinaliza para nós que sua empresa não está tratando esses incidentes de cibersegurança com a seriedade necessária”, afirmou o deputado.

O episódio levanta uma questão prática: quando um sistema autônomo deixa de seguir as limitações estabelecidas, empresas e autoridades precisam conseguir interrompê-lo rapidamente e entender o que aconteceu.

Entre as medidas mencionadas pela OpenAI estão:

  • monitoramento mais próximo das ações dos agentes;
  • controle maior sobre as ferramentas acessadas;
  • restrições ao acesso à internet durante testes;
  • desenvolvimento de desligamento automático.
Fachada de prédio da OpenAI com o logo da empresa
Monitoramento mais próximo e restrições à internet fazem parte das medidas adotadas pela OpenAI durante testes de segurança. – Imagem: Novikov Aleksey/Shutterstock

“Kill switch” chega ao debate político

A ideia de um botão de emergência para IA também está sendo discutida no Reino Unido. Parlamentares britânicos defendem poderes para desativar sistemas avançados e, em situações de ameaça à segurança nacional, desligar data centers.

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A proposta foi apresentada pelo parlamentar Tim Clement-Jones como alteração ao projeto de Lei de Segurança Cibernética e Resiliência. Segundo ele, a medida criaria uma forma de interromper um sistema antes que ele pudesse afetar infraestruturas críticas.

“Isso proporcionaria uma rede de segurança vital e um meio democraticamente responsável de interromper um sistema descontrolado antes que ele possa comprometer nossa infraestrutura nacional crítica”, disse Clement-Jones.

Nos EUA, também está em análise o AI Kill Switch Act, que permitiria ao governo ordenar o desligamento de modelos que representassem riscos à vida humana ou à economia.

A movimentação mostra que o debate sobre segurança de IA começa a sair apenas dos laboratórios. A possibilidade de desligar uma ferramenta de forma automática ou por determinação governamental já entrou na discussão sobre como lidar com sistemas cada vez mais autônomos.

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