Parece ficção, mas ficou mais barato mandar coisas ao espaço

Parece ficção, mas ficou mais barato mandar coisas ao espaço

Colocar uma carga em órbita ficou muito mais barato nas últimas décadas. Um novo estudo mostra que o valor por quilo lançado ao espaço caiu 96% desde 1960, e a redução pode continuar até 2040.

A pesquisa analisou milhares de lançamentos para entender como a evolução tecnológica, a entrada de empresas privadas e a reutilização de foguetes mudaram o mercado espacial.

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A corrida espacial ganhou novos participantes com a chegada do mercado privado. – Imagem: Via X/@narendramodi

Estudo analisou mais de 4 mil lançamentos

O levantamento reuniu 4.405 lançamentos realizados entre 1960 e 2025, formando o maior banco de dados de foguetes já usado em uma pesquisa desse tipo. A análise incluiu mais de 330 configurações desenvolvidas por países como Estados Unidos, Rússia, China, Índia, Brasil e Japão.

A diferença em relação a estudos anteriores é que os pesquisadores não avaliaram apenas o preço dos foguetes. O cálculo também levou em conta a quantidade de carga transportada durante toda a vida útil dos veículos.

Segundo Francesco Nicoli, professor associado de economia política da Universidade Politécnica de Turim, na Itália, pesquisas anteriores “consideravam o custo dos foguetes, mas não quanto eles lançavam durante sua vida útil”, o que dificultava calcular o valor real para chegar ao espaço.

Com a nova metodologia, o estudo mostrou uma queda expressiva: o envio de 1 quilo para a órbita passou de US$ 87.023 (cerca de R$ 478,6 mil), em 1960, para US$ 3.868 (aproximadamente R$ 21,3 mil), em 2025.

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O Falcon 9 e a reutilização em larga escala aceleraram a transformação da indústria de lançamentos espaciais. – Imagem: Michael Vi / Shutterstock

Falcon 9 ajudou a acelerar a redução

Mas por que lançar foguetes ficou tão mais barato? A pesquisa aponta dois momentos importantes. O primeiro foi o fim da Guerra Fria e a chegada do chamado “New Space”, que ampliou a participação comercial no setor.

O segundo veio com o Falcon 9, da SpaceX, e o uso de foguetes reutilizáveis em grande escala.

O fim da Guerra Fria e a mudança para o chamado ‘New Space’, com o uso comercial do espaço, parecem ter acelerado a curva de aprendizado.

Alessio Terzi, professor assistente de políticas públicas da Universidade de Cambridge

Ele acrescenta que “nossos dados mostram uma aceleração desde o lançamento do Falcon 9 da SpaceX e da reutilização em larga escala”.

A análise também revelou que, sempre que a quantidade acumulada de carga enviada ao espaço dobrou, o valor médio para colocar 1 quilo em órbita caiu 21,2%.

Entre os fatores que impulsionaram essa transformação estão:

  • Crescimento do mercado espacial comercial;
  • Reutilização de foguetes em larga escala;
  • Maior volume de cargas enviadas ao longo do tempo;
  • Aprendizado e eficiência acumulados pelo setor.
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Custos de lançamento podem cair ainda mais até 2040, abrindo novas possibilidades para missões espaciais. – Crédito: Wang Jiangbo/Xinhua

Queda pode continuar, mas há riscos no caminho

Se a tendência atual continuar, o estudo estima que o valor médio para enviar 1 quilo à órbita pode chegar a US$ 1.600 (cerca de R$ 8,8 mil) em 2030 e a US$ 300 (aproximadamente R$ 1,6 mil) em 2040.

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Os pesquisadores, porém, alertam que esse avanço não está garantido. O aumento do lixo espacial pode tornar as operações em órbita mais complexas, enquanto uma concentração excessiva do mercado em uma única empresa poderia reduzir a concorrência e pressionar os preços.

As tensões geopolíticas também podem influenciar esse cenário, levando países a investir novamente em sistemas próprios de lançamento, mesmo que isso represente custos maiores.

A pesquisa mostra que o acesso ao espaço passou por uma grande transformação nas últimas décadas, mas a próxima fase dessa evolução dependerá da capacidade do setor de superar novos desafios tecnológicos, econômicos e estratégicos.

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