Os continentes estão secando a uma velocidade sem precedentes, tornando-se o maior contribuinte individual para a elevação do nível do mar global, à frente do derretimento das calotas polares. É o que revela um novo e abrangente relatório do Banco Mundial, baseado em 22 anos de dados de satélite da NASA. Segundo o estudo, as grandes massas de terra perdem anualmente cerca de 324 bilhões de metros cúbicos de água doce — volume equivalente a quatro piscinas olímpicas drenadas a cada segundo e suficiente para abastecer as necessidades anuais de 280 milhões de pessoas.
Esse fenômeno, denominado “seca continental”, é impulsionado principalmente pela extração insustentável de águas subterrâneas para agricultura e consumo humano, agravada pela evaporação e pelo derretimento de geleiras. Fan Zhang, líder do Banco Mundial e autor principal do estudo, destaca que o problema transcende fronteiras: “Problemas hídricos locais podem rapidamente se alastrar para além das fronteiras nacionais e se tornar um desafio internacional”. As informações são do Live Science.

Consequências desiguais e ecossistêmicas
Os impactos são severos e atingem com mais força as regiões mais pobres e dependentes da agricultura. No Sul da Ásia e na África Subsaariana, a perda chega a 10% da “renda” hídrica anual. Apenas na África Subsaariana, as secas eliminam entre 600 mil e 900 mil empregos por ano. A crise também ameaça a biodiversidade global, elevando o risco de grandes incêndios florestais em pelo menos 17 das 36 áreas de maior riqueza biológica do planeta, como partes do Brasil, Madagascar e Sudeste Asiático.
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Ainda existe solução?
- Apesar da dimensão do desafio, o relatório aponta três vias principais para reverter a tendência:
- Eficiência Agrícola: Como a agricultura responde por 98% do consumo global de água, pequenos ganhos de eficiência geram economias massivas. A irrigação de precisão e o cultivo de variedades menos dependentes de água são soluções-chave.
- Comércio Virtual de Água: Países com escassez hídrica podem preservar seus recursos importando commodities que demandam muita água para produção, como grãos e algodão.
- Governança Eficaz: Nações com políticas robustas de gestão hídrica esgotam seus aquíferos de duas a três vezes mais devagar. Regulamentação, monitoramento e precificação adequada da água são fundamentais.
Jay Famiglietti, hidrólogo e coautor do relatório, vê razões para um otimismo cauteloso: “Quando começamos a pensar em escalas de tempo de décadas, mudanças nas políticas públicas, inovações financeiras… acho que há algum motivo para otimismo.” O estudo conclui que um futuro com uso sustentável da água é possível, mas exigirá ação coordenada e imediata em escala global.
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