Nesta quarta-feira (12), um eclipse solar total vai dominar os céus de algumas partes da Europa, incluindo a Espanha continental, onde esse tipo de fenômeno não é visto desde 1905. O evento também será o primeiro eclipse solar total a cruzar o continente europeu em mais de 20 anos. E você assiste tudo, ao vivo, com o Olhar Digital!
Um eclipse solar provoca mudanças temporárias no ambiente terrestre. Durante a totalidade, a Lua bloqueia completamente a luz do Sol, fazendo a temperatura cair e o céu escurecer em poucos minutos. Para os animais, essa alteração repentina pode ser interpretada como uma mudança inesperada entre dia e noite.

Em resumo:
- Eclipses solares alteram a luz, a temperatura e a rotina ambiental dos animais;
- Durante a totalidade, algumas espécies interrompem alimentação, deslocamento ou descanso;
- Abelhas, aves, gorilas, elefantes e tartarugas demonstraram respostas comportamentais incomuns em estudos;
- Aves podem cantar após a totalidade, simulando sinais semelhantes ao amanhecer;
- Na Islândia, serão observadas atividades de aves, focas e baleias;
- Na Espanha, o projeto ECOECLIPSE registrará sons para estudar reações animais.
Eclipse solar de 2017 revelou reações curiosas dos animais nos EUA
Observações feitas em eclipses anteriores mostram que algumas espécies realmente modificam sua rotina. Durante o eclipse solar total que atravessou os Estados Unidos em 2017, por exemplo, pesquisadores acompanharam diferentes animais para registrar possíveis alterações de comportamento.
Entre os casos observados estavam as abelhas, que interromperam de forma repentina suas atividades durante a totalidade. O comportamento chamou a atenção porque esses insetos utilizam sinais ambientais, principalmente a luminosidade, para regular atividades como alimentação, deslocamento e retorno às colmeias.
Em zoológicos, também foram registradas respostas curiosas. No Riverbanks Zoo, na Carolina do Sul, gorilas e elefantes começaram a retornar aos recintos noturnos quando o céu escureceu. A mudança aparentemente antecipou o período de descanso, como se a noite tivesse chegado antes do horário habitual.
Tartarugas-de-Galápagos também apresentaram comportamentos incomuns durante aquele eclipse. Os animais se reuniram em grupos e chegaram a apresentar comportamento de acasalamento pouco antes da totalidade. Esses registros, no entanto, não significam que todas as espécies reajam da mesma maneira.
A explicação mais provável está nos sinais ambientais alterados pelo eclipse. A redução repentina da luminosidade pode ativar mecanismos que normalmente são associados ao anoitecer. Dependendo da espécie, isso pode resultar em repouso, deslocamento, vocalização, interrupção da alimentação ou simplesmente uma mudança momentânea de atenção.
As aves estão entre os animais que mais despertam interesse dos pesquisadores. Um estudo sobre o eclipse solar total de 2024, ocorrido na América do Norte, reuniu mais de 10 mil observações feitas por cientistas cidadãos e dezenas de milhares de gravações acústicas. Mais da metade das espécies analisadas mudou algum aspecto do comportamento.
Um dos resultados mais interessantes ocorreu após o fim da totalidade. Muitas aves voltaram a cantar como se estivessem diante do início de um novo dia. O fenômeno é conhecido como um tipo de “falsa aurora”, já que a escuridão repentina pode ser seguida por sinais comportamentais semelhantes aos observados no amanhecer.
Aves, focas e baleias serão monitoradas na Islândia
Esse efeito poderá ser especialmente interessante na Islândia durante o eclipse de 12 de agosto. De acordo com um site local dedicado ao fenômeno, o evento ocorrerá próximo ao fim do período conhecido como sol da meia-noite, quando os dias de verão permanecem excepcionalmente longos. A mudança brusca entre luminosidade e escuridão poderá, portanto, produzir respostas perceptíveis entre as aves que ocupam diferentes regiões do país.
Na cidade de Seltjarnarnes, perto da capital Reykjavík, por exemplo, há colônias de andorinhas-do-ártico. A espécie é bastante ativa durante o verão e depende da luminosidade para diversas atividades. Uma possibilidade é que algumas aves reduzam temporariamente os voos e a alimentação à medida que o eclipse se intensifica.

Nos penhascos de Látrabjarg, nos Fiordes Ocidentais, grandes colônias de papagaios-do-mar e outras aves marinhas também estarão na região da totalidade. A concentração de animais pode facilitar a percepção de mudanças coletivas, como redução da atividade ou retorno temporário aos locais de nidificação.
Outras espécies, porém, provavelmente apresentarão respostas menos evidentes. Na praia de Ytri Tunga, na península de Snæfellsnes, focas-comuns e focas-cinzentas costumam descansar nas praias ou nadar próximo à costa. Com base em observações anteriores, não há expectativa de alterações drásticas no comportamento desses animais.
A situação é semelhante na Baía de Faxaflói, onde são realizados passeios para observação de baleias. Jubartes frequentam as águas da região em agosto, mas ainda existem poucas evidências de que esses grandes mamíferos apresentem reações significativas durante eclipses solares.
Por isso, acompanhar a fauna durante o fenômeno não significa esperar uma reação espetacular. As mudanças podem ser discretas, rápidas e variar bastante entre indivíduos da mesma espécie. Além disso, fatores como clima, ruído, presença humana e condições do ambiente também podem influenciar o comportamento observado.
A ciência cidadã terá papel importante nesse tipo de pesquisa. Registros feitos por pessoas comuns, como fotografias, vídeos, observações e gravações de sons, podem ajudar os pesquisadores a reunir uma quantidade maior de dados durante poucos minutos de totalidade.
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Gravadores na Espanha vão captar sons antes, durante e depois do evento
Na Espanha, uma iniciativa chamada ECOECLIPSE pretende aproveitar o eclipse para estudar como a redução repentina da luz interfere nas paisagens sonoras e no comportamento de aves e morcegos. A proposta funciona como uma espécie de experimento natural para investigar as respostas dos animais a uma mudança brusca de luminosidade. Os resultados também poderão contribuir para pesquisas sobre os efeitos da iluminação artificial noturna e da poluição luminosa sobre essas espécies.
Para isso, os pesquisadores vão instalar gravadores autônomos em locais isolados, escolhidos para evitar áreas com grande concentração de pessoas. Os equipamentos vão registrar os sons de pássaros e morcegos durante dois dias antes do eclipse, no dia do fenômeno e nos dois dias seguintes. A expectativa é identificar possíveis alterações na frequência, na intensidade ou no horário dos chamados emitidos pelos animais. O objetivo, portanto, não é observar o eclipse, mas captar as mudanças acústicas provocadas pela passagem repentina do dia para uma condição semelhante à noite.

Segundo Airam Rodríguez e Irene Mendoza, integrantes do projeto, os equipamentos não serão instalados necessariamente nos melhores pontos para acompanhar o eclipse. Em entrevista ao El País, os pesquisadores explicaram que preferem locais mais tranquilos, onde a presença humana não interfira nos registros.
A campanha terá continuidade durante os eclipses solares de 2 de agosto de 2027, que também será total, e de 26 de janeiro de 2028, que será anular. Dessa forma, a equipe poderá comparar diferentes eventos e ampliar a quantidade de dados sobre as respostas da fauna às mudanças de luminosidade.
Eclipses oferecem uma oportunidade rara para observar como os animais respondem a uma alteração ambiental incomum. Para eles, não se trata de compreender um fenômeno astronômico, mas de reagir a uma mudança repentina em um dos sinais mais importantes de sua rotina: a luz do dia.
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