Planetas podem nascer mais facilmente em sistemas com dois sóis

Planetas podem nascer mais facilmente em sistemas com dois sóis

Um artigo publicado segunda-feira (27) no periódico científico Monthly Notices of the Royal Astronomical Society revela que planetas podem se formar com mais facilidade ao redor de pares de estrelas do que em sistemas com um único astro central, como o Sol.

Sistemas estelares binários são comuns na Via Láctea, e consistem em duas estrelas que orbitam entre si. Por muito tempo, cientistas acreditaram que a gravidade combinada desses sistemas criaria um ambiente caótico, dificultando a formação de planetas.

Esse cenário levaria à dispersão do material necessário para a construção de novos mundos. No entanto, o novo estudo indica que essa visão precisa ser ajustada.

Sistemas estelares binários têm “zona proibida” para formação de planetas

Embora as regiões mais próximas das estrelas sejam extremamente instáveis, as áreas externas desses sistemas podem oferecer condições mais favoráveis à formação planetária do que se pensava anteriormente. Essas regiões distantes reduzem o impacto gravitacional direto das duas estrelas.

Segundo o pesquisador Matthew Teasdale, da Universidade de Lancashire, no Reino Unido, áreas muito próximas às duas estrelas formam uma espécie de “zona proibida”, onde as forças gravitacionais são intensas demais para permitir estabilidade. Nessas condições, o material ao redor não consegue se agrupar de forma eficiente para iniciar a formação de planetas.

As simulações computacionais mostraram que, além desse limite crítico, o disco de gás e poeira ao redor das estrelas pode se tornar instável a ponto de se fragmentar. Esse processo, conhecido como instabilidade gravitacional, pode levar à rápida formação de vários planetas, especialmente gigantes gasosos como Júpiter.

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Na saga Star Wars, o mundo Tatooine tem dois sóis – Crédito: Divulgação / Lucasfilm / Disney

De acordo com os autores, após ultrapassar a região instável, a formação de planetas pode ocorrer de maneira rápida e em grande quantidade, aumentando a chance de surgirem diferentes tipos de mundos.

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Estudo ajuda a entender mundos como o fictício Tatooine

O estudo também aponta que alguns planetas podem ser ejetados desses sistemas devido à complexidade gravitacional, passando a vagar sozinhos pelo espaço interestelar como “planetas errantes”, sem uma estrela para orbitar. 

Além disso, os resultados ajudam a compreender melhor a existência dos chamados planetas circumbinários, que são mundos que orbitam simultaneamente duas estrelas, como o planeta fictício Tatooine, do universo de Star Wars, onde dois sóis aparecem no céu.

Esses achados também podem orientar futuras observações astronômicas com instrumentos mais avançados, ajudando a identificar discos de formação planetária e até acompanhar o surgimento de novos mundos.

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