Poços de petróleo abandonados liberam mil vezes mais metano do que o esperado

Poços de petróleo abandonados liberam mil vezes mais metano do que o esperado

Poços de petróleo e gás abandonados podem liberar muito mais metano do que se imaginava. Um novo estudo conduzido pela McGill University aponta que essas estruturas inativas emitem gás em níveis até mil vezes maiores do que estimativas anteriores. Você pode ler a pesquisa na íntegra clicando aqui.

A análise avaliou 401 poços não produtivos e revelou que o metano de origem microbiana aparece com muito mais frequência do que se pensava. Esse tipo de gás é gerado por microrganismos em ambientes sem oxigênio e pode ser emitido mesmo após o esgotamento das reservas originais de petróleo ou gás, segundo informações do portal Earth.

Os dados indicam que esses poços antigos funcionavam como rotas verticais, permitindo que o metano escapasse de diferentes camadas subterrâneas. Isso inclui tanto fontes profundas quanto formações mais rasas, o que criava um cenário mais complexo de vazamento. Em muitos casos, o ponto de emissão é visível, mas a origem exata do gás não é facilmente identificável.

Para quem tem pressa:

  • Uma pesquisa descobriu que o metano produzido por agentes microbianos libera muito mais metano do que se tinha conhecimento;
  • A produção em massa deste gás age como um poluente para o ecossistema;
  • Para reverter a situação, a medida mais eficaz é encontrar a origem do vazamento, o que nem sempre é uma tarefa fácil.

Origem do metano muda estratégia de controle

Diferenciar as fontes de metano é essencial para conter o problema. Para isso, os pesquisadores utilizaram assinaturas isotópicas estáveis: uma espécie de impressão digital química que identifica a origem do gás. Esse método permite distinguir entre metano termogênico (formado em altas temperaturas ao longo de milhões de anos) e o microbiano (gerado por microrganismos).

A pesquisa analisou 401 poços e revelou alta presença de metano microbiano, gerado por microrganismos e liberado mesmo após o fim da exploração. Crédito: Imagem gerada por IA/ChatGPT

Essa distinção tem impacto direto nas estratégias de reparo. Vazamentos vindos do interior do poço exigem soluções diferentes daqueles originados em formações próximas à superfície. Sem essa leitura precisa, equipes podem corrigir apenas o sintoma, enquanto o fluxo de gás continua ativo em outra camada subterrânea.

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Uma pequena parcela pode concentrar um maior impacto

Outro ponto crítico do estudo envolve a distribuição das emissões. Pesquisas anteriores da própria universidade já indicavam que cerca de 12% dos poços são responsáveis por até 98% do metano liberado. Isso significa que identificar rapidamente os maiores emissores pode gerar impacto significativo na redução das emissões.

Imagem mostra bolhas de metano subindo do fundo do mar
Apesar de poucos poços concentrarem a maior parte das emissões, fontes rasas ampliam o desafio e exigem monitoramento contínuo. (Imagem: Beekeepx/Shutterstock)

No entanto, o metano microbiano adiciona uma nova camada de dificuldade. Mesmo poços considerados menos ativos podem liberar gás de forma contínua a partir de fontes rasas. Isso amplia o escopo do problema e exige monitoramento mais detalhado e constante ao longo do tempo.

Pontos-chave do estudo:

  • Poços abandonados podem emitir até 1.000 vezes mais metano;
  • Metano microbiano é mais comum do que estimativas anteriores;
  • Vazamentos podem vir de múltiplas camadas subterrâneas;
  • Apenas 12% dos poços concentram a maior parte das emissões;
  • Identificar a origem do gás é essencial para reparos eficazes;
  • Problema afeta diferentes regiões com histórico de exploração.

Com cerca de 500 mil poços não produtivos no Canadá, o impacto potencial dessas emissões é significativo. A nova abordagem reforça que esses locais não são apenas estruturas abandonadas, mas sistemas ativos que continuam influenciando o clima, exigindo estratégias mais precisas de monitoramento e contenção.

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