Por dentro da nova Ferrari elétrica com mais de mil cavalos de potência

Por dentro da nova Ferrari elétrica com mais de mil cavalos de potência

A Ferrari revelou, em Roma, o Luce, seu primeiro veículo totalmente elétrico, marcando uma mudança histórica na estratégia da fabricante italiana de automóveis de luxo. O superesportivo a bateria tem preço inicial fixado em 550 mil euros na Itália (o equivalente a cerca de R$ 3,2 milhões). E está programado para chegar ao mercado europeu ainda em 2026, com a estreia nos Estados Unidos prevista para o segundo trimestre de 2027.

Desenvolvido ao longo de cinco anos, o modelo quebra as tradições estéticas da marca ao se tornar: 1) o primeiro veículo de cinco lugares da história de Maranello; e 2) o segundo com quatro portas. O projeto traz uma carroceria feita de alumínio com ampla presença de painéis de vidro, concebida pela agência de design externa LoveFrom, liderada pelos designers Jony Ive (ex-Apple) e Marc Newson. E é impulsionado por quatro motores elétricos que geram uma potência combinada de 1.035 cavalos.

Engenharia própria e quebra de paradigmas sustentam a nova Ferrari Luce

Os quatro motores elétricos síncronos de ímã permanente têm a potência concentrada na traseira, com os dois dianteiros gerando 282 cavalos de potência, enquanto os dois traseiros produzem 831 cavalos. A potência total, de 1035 cavalos, não é a soma exata, mas ainda assim supera a de qualquer outra Ferrari de rua, segundo a Car and Driver.

Esse conjunto confere ao modelo de 2.260 kg a capacidade de acelerar de 0 a 100 km/h em 2,5 segundos, atingir 200 km/h em 6,8 segundos e alcançar uma velocidade máxima de aproximadamente 310 km/h. O sistema é alimentado por uma bateria de 122 kWh com arquitetura de 800V e autonomia estimada em cerca de 530 km. 

Ilustração no estilo raio-x da Ferrari Luce
Raio-X da Ferrari Luce – Imagem: Reprodução/Ferrari

“Se você tem um carro de motor central e remove o motor e o tanque de combustível e os substitui por um pacote de baterias e um motor elétrico, você não está ganhando nada em termos de centro de gravidade ou momento de inércia”, explicou o chefe de engenharia de veículos, Matteo Lanzavecchia, à revista Top Gear. “Mas, ao fazer algo maior, fomos capazes de entregar espaço para cinco pessoas. O centro de gravidade é mais baixo e aprimoramos a rigidez torcional integrando o pacote de baterias à carroceria. Nós repensamos tudo”, complementou o engenheiro.

Outro ponto crucial no desenvolvimento do superesportivo foi a identidade acústica, que rejeita soluções puramente sintetizadas para captar e amplificar de forma mecânica as vibrações geradas pelos motores traseiros. “O som tem sido um dos maiores desafios com este carro”, afirmou o diretor de desenvolvimento de produtos da montadora, Gianmaria Fulgenzi, à Car and Driver

Para resguardar o valor de revenda e assegurar a durabilidade do modelo a longo prazo, a fabricante optou por produzir todos os componentes essenciais internamente, permitindo reparos diretos pela fábrica no futuro e oferecendo um programa de assistência eletromecânica e garantia de substituição de baterias semelhante ao de seus modelos híbridos.

Painel da Ferrari Luce
Painel da Ferrari Luce mistura digital e analógico – Imagem: Reprodução/Ferrari

A cabine adota uma abordagem que mescla inovação digital com comandos físicos tradicionais, trazendo painéis OLED e um painel de instrumentos digital envolto por três anéis metálicos. A tela sensível ao toque central possui tamanho moderado e pode girar em direção ao motorista ou ao passageiro da frente, sendo complementada por seletores físicos no volante que eliminam os antigos botões sensíveis ao toque criticados em modelos anteriores da marca. O volante abriga dois seletores do tipo manettino (um padrão de cinco posições e um e-manettino focado no gerenciamento elétrico), além de uma alavanca no console superior dedicada à ativação do modo de largada, que otimiza a tração e libera 54 cavalos adicionais de potência.

A estética externa exibe linhas minimalistas que priorizam a eficiência aerodinâmica. O resultado é o menor coeficiente de arrasto já registrado num veículo de rua da marca, com defletores em formato de túnel e grades ativas para os trocadores de calor.

Traseira da Ferrari Luce
Nas redes sociais, como costuma acontecer, as reações do público após a revelação da Ferrari Luce foram mistas – Imagem: Divulgação/Ferrari

A estreia do modelo ocorre num cenário global desafiador para o segmento de luxo, no qual concorrentes diretas como a Lamborghini cancelaram planos para esportivos puramente elétricos e a Porsche reduziu metas devido à baixa demanda e à forte concorrência de fabricantes chineses. 

O impacto das pressões econômicas e da inflação global também se refletiu no desempenho financeiro recente da marca italiana, cujas ações acumulam uma queda de mais de 25% em 2025. 

Nas redes sociais, como costuma acontecer, as reações do público após a revelação da Ferrari Luce foram mistas, variando desde duras críticas que classificavam o design como descartável até elogios que descreviam o automóvel como uma verdadeira obra-prima do design automotivo contemporâneo.

(Essa matéria também usou informações de BBC e Wall Street Journal.)

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