Por que eclipses totais são tão raros em um mesmo lugar?

Por que eclipses totais são tão raros em um mesmo lugar?

Presenciar um eclipse solar total é um evento único na vida da maioria das pessoas. Embora a marca de 375 a 400 anos seja amplamente divulgada em registros da NASA como o intervalo de espera para uma mesma localidade, esse número representa apenas uma média global do planeta, e não uma regra fixa.

A raridade geográfica do fenômeno acontece porque a sombra mais escura da Lua (a umbra) é extremamente estreita, medindo geralmente entre 100 e 200 km de largura. Conforme a Terra gira e a Lua orbita o planeta, essa ponta de sombra “risca” a superfície como uma linha fina e rápida, criando o chamado corredor de totalidade. Como a imensa maioria do planeta fica fora dessa faixa, ver a escuridão total no quintal de casa exige uma combinação monumental de coordenadas.

eclipse solar total 2020
Composta por 55 exposições, esta imagem do eclipse solar total de 14 de dezembro de 2020 revela a tênue superfície da Lua, a coroa solar em detalhes, proeminências gigantes e até um pequeno cometa no canto inferior esquerdo. – Crédito: Miloslav Druckmüller e Andreas Möller/Universidade Tecnológica de Brno, via APOD/NASA.

Além disso, os eclipses ocorrem em uma espécie de “família” que se repete a cada 18 anos, 11 dias e oito horas (o chamado Ciclo de Saros). Pense na Terra girando: nessas oito horas extras de rotação, o planeta continua girando e empurra a região do eclipse anterior para longe, fazendo o próximo evento da mesma família riscar uma parte completamente diferente do mapa. 

Por causa dessa movimentação, as rotas dos eclipses acabam espalhadas pelo globo de forma desigual. Pura sorte faz poucas regiões entrarem na rota de dois eventos em prazos curtíssimos: a cidade de Carbondale, em Illinois, nos Estados Unidos, viu a sombra em 2017 e novamente em 2024 (apenas sete anos depois), enquanto Angola registrou dois eclipses totais em um intervalo de 18 meses, entre 2001 e 2002.

Em contrapartida, para equilibrar esses casos de sorte e manter a média planetária perto de quatro séculos, outras localidades enfrentam secas milenares. A cidade de Londres, na Inglaterra, viveu um jejum de 837 anos entre um eclipse total e outro, ficando sem ver o fenômeno desde o ano 878 até maio de 1715.

O eclipse solar total da próxima quarta-feira (12) vai contemplar o território continental da Espanha pela primeira vez desde 1905, encerrando um intervalo de 120 anos e 348 dias, segundo o jornal El País.

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Eclipse solar: quantos tipos existem e quais as diferenças entre eles

Eclipses são eventos astronômicos caracterizados pelo escurecimento total ou parcial de um astro por meio da interposição de outro corpo celeste frente à fonte de luz. Em 2026, já tivemos um lunar total – a “Lua de Sangue” – e um solar anular – que formou um “Anel de Fogo” no céu da Antártida (relembre aqui).

Esquema comparativo mostrando a situação em que ocorrem os diferentes tipos de eclipse: total, anular e parcial. – Crédito: FSogumo – Wikipedia Creative Commons

E o ano ainda reserva mais dois, ambos em agosto, com o primeiro deles sendo um eclipse solar total, aguardado para semana que vem, conforme mencionado anteriormente. A temporada se encerra com um eclipse lunar parcial na noite entre 27 e 28 (que poderá ser visto no Brasil inteiro).

A principal diferença entre esses dois fenômenos está na posição dos três astros. No eclipse lunar, a Terra fica entre o Sol e a Lua, fazendo com que sua sombra escureça o satélite. Já no eclipse solar, é a Lua que se coloca entre o Sol e a Terra, projetando sua sombra sobre uma região do planeta e ocultando total ou parcialmente o Sol. Conheça os quatro tipos de eclipse solar clicando aqui.

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