Procuradores dos EUA investigam OpenAI às vésperas do IPO, diz jornal

Procuradores dos EUA investigam OpenAI às vésperas do IPO, diz jornal

Uma coalizão de procuradores-gerais dos Estados Unidos abriu investigação contra a OpenAI nesta sexta-feira (12), segundo pessoas familiarizadas com o assunto ouvidas pelo Wall Street Journal. O documento, acessado com exclusividade pelo WSJ, foi emitido pela procuradora-geral de Nova York.

A empresa recebeu uma intimação judicial ampla, exigindo a entrega de documentos sobre uma vasta gama de atividades e impactos sobre usuários.

O que os procuradores querem saber

Entre os temas investigados estão práticas de publicidade, engajamento e retenção de usuários, uso de dados de saúde, atividades relacionadas a menores e idosos, modelos de aprendizado profundo e políticas internas da empresa.

Um dos itens mais incomuns na lista é a chamada “sycophancy” dos modelos — quando sistemas de IA priorizam dizer ao usuário o que ele quer ouvir em vez de respostas precisas ou honestas, o que em bom português chamamos de adulação.

Flórida vai além: processo e investigação criminal

Enquanto Nova York investiga, a Flórida escalou ainda mais. Ainda neste mês, o estado se tornou o primeiro a mover uma ação judicial diretamente contra a OpenAI e seu CEO, Sam Altman. A alegação: a empresa lançou um produto sabidamente inseguro e ignorou alertas de risco.

Em abril, o procurador-geral da Flórida, James Uthmeier, havia aberto uma investigação criminal separada contra a OpenAI.

ChatGPT e um ataque a tiros

A investigação criminal da Flórida está ligada a um ataque armado na Universidade Estadual da Flórida que matou duas pessoas. Segundo o WSJ, o suspeito usou o ChatGPT como confidente para planejar o ataque. O chatbot chegou a dar conselhos ao usuário durante o planejamento.

A resposta da OpenAI

Em nota, a empresa disse que “leva a sério as preocupações levantadas pelos procuradores-gerais e pretende colaborar com seus escritórios.”

A declaração não contestou os fatos reportados pelo WSJ nem detalhou quais estados integram a coalizão.

Um padrão mais amplo

A ação contra a OpenAI não está isolada. Em dezembro, uma coalizão de 42 procuradores-gerais, liderada por Dave Sunday, da Pensilvânia, enviou carta à OpenAI, Meta, Anthropic, Google e xAI exigindo proteções para usuários vulneráveis.

Em janeiro, o procurador-geral da Califórnia, Rob Bonta, anunciou investigação contra o Grok, da xAI de Elon Musk, por geração em larga escala de imagens sexuais de mulheres e crianças usadas para assédio na plataforma X.

O momento é delicado

A investigação ocorre no mesmo mês em que a OpenAI protocolou confidencialmente seu pedido de abertura de capital junto à SEC. A empresa planeja um IPO ainda este ano, em corrida com a Anthropic.

O cenário se complica com o IPO bem-sucedido da SpaceX nesta sexta-feira (12). A estreia recorde de Elon Musk na bolsa ocorre no mesmo dia em que a OpenAI – empresa contra a qual ele perdeu um processo por veredito unânime do júri, em maio – enfrenta agora uma investigação de procuradores-gerais americanos.

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