Produtos falsos e inseguros fazem AliExpress pagar caro na Europa

Produtos falsos e inseguros fazem AliExpress pagar caro na Europa

O AliExpress recebeu uma multa de €550 milhões (aproximadamente R$ 3,2 bilhões) da Comissão Europeia por falhas no controle de produtos ilegais, falsificados e considerados inseguros vendidos na plataforma.

A decisão tem como base o Digital Services Act (DSA), legislação europeia criada para responsabilizar grandes plataformas digitais e reduzir riscos aos consumidores.

Ilustração do logo da AliExpress com carrinhos de compras
Europa aponta problemas em anúncios, vendedores e produtos falsificados no marketplace do AliExpress. Burdun Iliya/Shutterstock

Comissão aponta falhas no sistema de controle

De acordo com a Comissão Europeia, o AliExpress não avaliou de forma adequada os riscos relacionados aos produtos oferecidos no marketplace. A investigação concluiu que a empresa superestimou a eficiência dos seus mecanismos de moderação e não considerou corretamente a relação entre o volume de anúncios e a quantidade de moderadores disponíveis.

Testes realizados pelo órgão europeu também indicaram problemas nos sistemas de recomendação e publicidade. Produtos irregulares continuavam sendo sugeridos aos consumidores antes de serem retirados.

Entre os principais problemas encontrados estão:

  • Avaliação insuficiente dos riscos de produtos ilegais, inseguros ou falsificados;
  • Falhas nos sistemas que recomendavam anúncios problemáticos aos usuários;
  • Ausência de métricas eficientes para medir a atuação da moderação;
  • Dificuldade para impedir que produtos proibidos voltassem a aparecer.

Segundo a Comissão, brinquedos inseguros, cosméticos perigosos e mercadorias falsificadas permaneceram disponíveis na plataforma mesmo depois de identificados.

Vendedores conseguiam driblar regras da plataforma

Outro ponto destacado na investigação foi o funcionamento das punições aplicadas aos comerciantes. A Comissão afirmou que vendedores responsáveis por oferecer produtos ilegais conseguiam permanecer ativos mesmo após receber penalidades.

O órgão também apontou falhas na classificação dos anúncios. Comerciantes poderiam cadastrar produtos em categorias incorretas para escapar de verificações mais rigorosas.

O sistema de autorização de marcas, criado para combater falsificações, também foi considerado insuficiente. Segundo a Comissão, vendedores conseguiam contornar o mecanismo e publicar produtos irregulares.

Henna Virkkunen, vice-presidente executiva da Comissão Europeia para Soberania Tecnológica, Segurança e Democracia, afirmou que “a disseminação de roupas falsificadas, brinquedos inseguros, cosméticos perigosos e outros produtos ilegais e prejudiciais não é um custo inevitável das compras online”.

A executiva acrescentou que “a escala não é uma desculpa; os riscos devem ser identificados e tratados sistematicamente para garantir que os consumidores possam comprar online com segurança”.

Notebook ao lado de caixas de encomendas usadas para ilustrar compras online e comércio eletrônico.
Europa avança contra produtos falsificados e mira grandes plataformas digitais. – Imagem: CHIEW / Shutterstock

AliExpress terá prazo para corrigir problemas

O valor da multa considerou fatores como a gravidade das infrações, o número de usuários afetados e o período em que as falhas permaneceram, pelo menos até junho de 2025.

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A Comissão também levou em conta como fator de redução o fato de o Digital Services Act ser uma regulamentação recente.

Agora, o AliExpress terá até 20 de outubro de 2026 para apresentar um plano de ação com medidas para corrigir as falhas identificadas. O documento será analisado pelo Conselho Europeu de Serviços Digitais antes da definição do prazo final de implementação.

Caso a empresa não cumpra as determinações, poderá receber novas penalidades financeiras. A investigação faz parte de um processo iniciado em março de 2024, que analisou também transparência de anúncios, sistemas de recomendação, moderação de conteúdo e rastreamento de vendedores.

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