Qual é o máximo que um ser humano pode viver?

Qual é o máximo que um ser humano pode viver?

Mesmo que a ciência conseguisse eliminar os principais problemas associados à idade, como câncer e demência, a vida humana ainda poderia ter uma barreira natural. Um estudo sugere que mutações acumuladas no DNA seriam capazes de impor um limite para a longevidade.

Pesquisadores do Instituto Skolkovo de Ciência e Tecnologia, na Rússia, estimaram que esse teto biológico ficaria entre 146 e 194 anos em um cenário hipotético sem doenças relacionadas ao envelhecimento.

A ciência busca entender o envelhecimento analisando cada mecanismo que afeta o corpo humano. Imagem: sabinevanerp/Pixabay

Mutações no DNA podem ser um obstáculo para a vida eterna

Durante a vida, as células passam por inúmeras divisões. Nesse processo, pequenos erros podem surgir no material genético. O organismo consegue corrigir boa parte deles, mas algumas alterações permanecem e se acumulam com o tempo.

Essas mudanças são chamadas de mutações somáticas. A maioria não causa consequências graves, mas algumas podem afetar o funcionamento das células e contribuir para problemas como o câncer.

Liderada pelo biólogo computacional Dmitrii Kriukov, a equipe criou um modelo matemático para responder a uma questão específica: se todos os outros fatores do envelhecimento fossem eliminados, as mutações no DNA sozinhas ainda limitariam quanto tempo um ser humano poderia viver?

A resposta encontrada pelo modelo foi positiva. Dependendo do cálculo utilizado, a expectativa média de vida nesse cenário variou entre 146 e 194 anos.

“Este é um primeiro passo importante para dividir o envelhecimento em componentes mecânicos quantificáveis”, escreveram os pesquisadores no artigo publicado na revista npj Aging.

Imagem do relógio em movimento sobre o fio de dna no plano de fundo vermelho.
O corpo humano tem mecanismos de reparo do DNA, mas alguns danos permanecem com o passar dos anos. – vectorfusionart/Shutterstock

Coração e cérebro podem ter papel decisivo

O estudo também mostrou que os tecidos do corpo lidam de maneiras diferentes com o passar dos anos. Órgãos como pele e fígado conseguem substituir células antigas com frequência, mantendo maior capacidade de renovação.

Já células do coração e do cérebro permanecem por longos períodos no organismo. Por isso, acumulam alterações genéticas durante décadas e podem representar um dos principais limites encontrados pelo modelo.

Entre os principais pontos revelados pelo estudo estão:

  • mutações somáticas aumentam naturalmente ao longo da vida;
  • algumas alterações genéticas prejudicam a atividade celular;
  • células que não são facilmente substituídas acumulam mais mudanças;
  • eliminar doenças do envelhecimento não seria suficiente para garantir vida ilimitada.
Nem uma medicina perfeita contra o envelhecimento garantiria vida eterna, segundo novo estudo. Imagem: Master1305/Shutterstock

Envelhecimento ainda guarda muitos mistérios

Os autores destacam que as mutações no DNA são apenas uma parte do processo de envelhecimento. A chamada teoria das mutações somáticas é estudada há décadas, mas ainda existe debate sobre sua influência na perda das funções do organismo.

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O próprio Kriukov ressalta que o resultado não é uma previsão sobre a idade que as pessoas poderão alcançar.

“Esta é uma estimativa matemática (embora cuidadosa), não dados experimentais”, explicou o pesquisador. Segundo ele, as mutações somáticas têm um efeito relativamente limitado quando analisadas sozinhas, mas podem se tornar mais relevantes quando combinadas com outros mecanismos.

O trabalho propõe uma forma de medir separadamente como diferentes processos biológicos contribuem para o envelhecimento do ser humano, ajudando a direcionar novas pesquisas sobre longevidade.

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