Um hamster doméstico de Utrecht, nos Países Baixos, passou a chamar atenção no universo das corridas depois que seu tutor criou um sistema para registrar os deslocamentos feitos pelo animal durante a noite. Mollie percorre, em média, 10 quilômetros por sessão e já ultrapassou a marca de 11 quilômetros em uma única noite.
O responsável pelo pequeno corredor é Thijs De Buck, físico holandês e praticante de corrida. Ao perceber que não sabia quanto o animal se exercitava, ele desenvolveu um dispositivo capaz de medir a distância e a velocidade percorridas na roda, permitindo que os dados fossem publicados automaticamente no Strava.
A rotina fez de Mollie uma figura conhecida entre os usuários da plataforma. O hamster acumula mais de 5 mil seguidores e recebe aproximadamente mil manifestações de aprovação em cada atividade, número muito superior ao alcançado por De Buck em seus próprios treinos.
Da rodinha direto para o aplicativo

A ideia surgiu da combinação entre duas atividades que fazem parte da rotina de De Buck: a corrida e o acompanhamento dos hábitos de seu animal. O físico já costumava registrar seus próprios dados esportivos e decidiu aplicar a mesma lógica aos exercícios noturnos de Mollie.
Para transformar os movimentos do hamster em números, De Buck instalou um mecanismo que utiliza um ímã para identificar cada volta completa da roda. Como a circunferência percorrida em cada rotação é de aproximadamente 65 centímetros, o sistema consegue calcular a distância acumulada.
O equipamento também considera o tempo para determinar a velocidade do animal. Depois de processados, os registros são enviados para o Strava, onde as atividades de Mollie aparecem todas as manhãs, após o período noturno de exercícios.
Os resultados chamaram a atenção do próprio tutor. Com uma média próxima de 10 quilômetros por noite, Mollie chega a quase 70 quilômetros por semana. Seu melhor resultado registrado até agora é de 11,15 quilômetros em uma única sessão.
O desempenho coloca o hamster à frente de seu dono nas comparações de distância. De Buck havia treinado durante cerca de seis meses para uma maratona, mas seus resultados na plataforma acabaram ficando ofuscados pela popularidade do animal.

A diferença também aparece na repercussão. Enquanto o tutor recebeu cerca de 40 “kudos” (curtidas) no app, Mollie passou a alcançar aproximadamente mil por corrida.
O sucesso digital levou o hamster a aparecer também na Runner’s World. Para De Buck, a repercussão pode estar ligada à combinação pouco convencional que o projeto reúne: o interesse pelas corridas, a presença de um animal de estimação e o caráter elaborado do sistema criado para acompanhar seus movimentos.
Apesar do desempenho incomum, a atividade faz parte do comportamento esperado de um hamster. Esses animais costumam dormir e permanecer escondidos durante o dia, enquanto à noite percorrem longas distâncias em busca de alimento e para escapar de predadores.
Mollie, portanto, não precisou ser treinado para se tornar corredor. O que De Buck fez foi transformar uma atividade natural do animal em dados mensuráveis e, depois, levar essas informações para uma rede social voltada à prática esportiva.
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