Reino Unido aprova compra bilionária da Warner pela Paramount e impõe condições

Reino Unido aprova compra bilionária da Warner pela Paramount e impõe condições

A aquisição da Warner Bros. Discovery pela Paramount recebeu autorização das autoridades britânicas nesta quinta-feira (6), após análises sobre possíveis impactos na concorrência e no setor de mídia. A operação é avaliada em US$ 111 bilhões, cerca de R$ 569 bilhões.

A decisão foi tomada depois que a secretária britânica de Cultura, Lisa Nandy, optou por não intervir no negócio e a autoridade concorrencial do país informou que não abriria uma investigação aprofundada sobre a transação.

Com o sinal verde do Reino Unido, a Paramount passa a concentrar esforços na etapa regulatória dos Estados Unidos, onde o acordo ainda enfrenta avaliação antitruste prevista para avançar em 2027.

Compromissos sobre conteúdo e estrutura fazem parte da aprovação britânica

Montagem com imagens do HBO Max e do Paramount+
(Imagem: Hamara e JOCA_PH – Shutterstock) – Imagem: Hamara e JOCA_PH/Shutterstock

Para obter a aprovação no Reino Unido, a Paramount assumiu compromissos junto ao Departamento de Cultura, Mídia e Esporte do país. Entre as medidas estabelecidas está a manutenção de separação entre canais tradicionais e plataformas de streaming, evitando uma união imediata entre serviços como HBO Max e Paramount+.

O acordo também prevê que a independência editorial de áreas de notícias e redes voltadas ao público infantil seja preservada. Dessa forma, o Channel 5 News deverá continuar separado da CBS News e da CNN International após a conclusão da compra.

As obrigações terão validade de cinco anos a partir da finalização da operação. O Channel 5 também deverá manter sua condição de emissora de serviço público no Reino Unido.

A Paramount afirmou que as aprovações regulatórias representam uma oportunidade para ampliar investimentos em produções e oferecer mais opções ao público. A empresa avalia que a combinação das companhias permitirá maior capacidade de criação e distribuição de conteúdo internacional.

Empresa admite possíveis cortes administrativos após fusão

Logos de Paramount e Warner
Operação está sob análise – Imagem: K I Photography e Grand Warszawski/Shutterstock

David Ellison, executivo ligado à Paramount, afirmou em comunicação enviada ao governo britânico que a nova companhia poderá buscar ganhos de eficiência depois da conclusão do negócio.

Segundo ele, eventuais ajustes podem envolver áreas internas, como setores administrativos, tecnologia, departamentos jurídico e financeiro, além de estruturas operacionais. A empresa ressaltou que essas mudanças não devem interferir nas decisões editoriais nem na variedade de conteúdos oferecidos ao público britânico.

A análise da Competition and Markets Authority (CMA) concluiu que não havia preocupação relevante sobre a distribuição de filmes nos cinemas do Reino Unido. Embora o novo grupo se torne o maior distribuidor do país, a autoridade considerou que ainda haverá concorrência de grandes estúdios e de empresas menores.

Lisa Nandy também desistiu de avançar com uma proposta que ampliaria os poderes da Ofcom, órgão regulador britânico, para avaliar possíveis efeitos do negócio sobre plataformas de streaming.

Artistas pressionaram contra a operação

A autorização britânica ocorreu em meio a manifestações contrárias à fusão. Artistas como Alan Cumming e Benedict Cumberbatch fizeram apelos para que as autoridades bloqueassem o acordo, segundo informações atribuídas à cobertura da Deadline.

Apesar das críticas, o governo britânico decidiu não impedir a operação, deixando a disputa regulatória concentrada principalmente nos Estados Unidos.

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