Retatrutida: estudo mostra perda de peso e melhora da glicose

Retatrutida: estudo mostra perda de peso e melhora da glicose

A retatrutida fez mais da metade dos pacientes com diabetes tipo 2 e obesidade deixar a faixa de obesidade após 80 semanas na dose mais alta. O estudo TRIUMPH-2 também mostrou que até 40% dos participantes chegaram a níveis normais de glicose no sangue.

Os resultados foram apresentados no congresso da Associação Europeia para o Estudo do Diabetes, em Milão, e publicados na revista The Lancet. O tratamento, porém, ainda não foi aprovado em nenhum país, e os efeitos colaterais aumentaram conforme a dose subiu.

obesidade
A substância atua sobre três hormônios intestinais, acelerando o gasto de energia e aumentando a saciedade.

Retatrutida reduz peso e melhora a glicose

Aplicada uma vez por semana, a retatrutida atua sobre três mecanismos ligados ao controle do peso e da glicose. Assim como medicamentos como Ozempic e Mounjaro, aumenta a sensação de saciedade. A diferença é que também age sobre o glucagon, hormônio que ajuda o organismo a gastar energia.

O TRIUMPH-2 acompanhou 1.152 adultos com diabetes tipo 2 e obesidade. O efeito sobre o peso foi observado em todas as doses avaliadas, com resultados maiores conforme a quantidade do medicamento aumentava:

  • 4 mg: perda média de 12,7% do peso, cerca de 13,5 kg;
  • 9 mg: perda média de 19,1%, aproximadamente 20,6 kg;
  • 12 mg: perda média de 20,8%, cerca de 22,5 kg;
  • Placebo: perda média de 4% do peso.

Entre os participantes com maior grau de obesidade, a redução média chegou a 23,4%, ou 27,5 kg, na dose de 12 mg. Ao fim das 80 semanas, 59,5% dos pacientes que receberam essa quantidade estavam abaixo do índice usado para definir obesidade.

A melhora também apareceu no controle da glicose. A hemoglobina glicada, exame que mostra a média do açúcar no sangue nos últimos três meses, caiu cerca de 1,5 ponto percentual em todas as doses. Nas doses mais altas, quase 80% dos participantes ficaram abaixo do nível usado para diagnosticar diabetes, enquanto aproximadamente 40% chegaram a uma faixa considerada normal.

O que mudou além do peso

Os pesquisadores avaliaram outros indicadores ligados à saúde cardiovascular. Na dose de 12 mg, houve melhora em exames relacionados à gordura no sangue, inflamação, pressão arterial e medida da cintura.

Os principais resultados foram:

  • triglicerídeos: redução de 39,5%;
  • colesterol não-HDL: redução de 19,6%;
  • proteína C-reativa: redução de 58,3%;
  • pressão arterial máxima: queda de 10,8 mmHg;
  • cintura: redução de 16,9 centímetros.

Esses resultados não permitem afirmar que a retatrutida previna infarto, AVC ou doença renal. Para chegar a essa conclusão, são necessários estudos específicos que acompanhem a ocorrência desses problemas.

A forma de calcular a perda de peso também altera o resultado. Quando entram na conta os participantes que abandonaram definitivamente o tratamento, a redução média na dose de 12 mg foi de 18,8%. Nessa análise, 47% perderam pelo menos 20% do peso.

Mulher com as mãos na barriga devido à dor
Sintomas gastrointestinais como diarreia e náusea aumentaram conforme a dosagem aplicada foi elevada. Imagem: Premreuthai /Shutterstock

Efeitos colaterais aumentam com a dose

Os problemas mais frequentes foram diarreia, náusea e vômitos. Eles apareceram com maior frequência entre os participantes que receberam as doses mais altas.

Na dose de 12 mg, os índices foram:

  • Diarreia: 33,6%;
  • Náusea: 28%;
  • Vômitos: 15,7%.

No grupo placebo, os números foram menores: 13,2%, 8% e 4,2%, respectivamente.

Outro efeito observado foi a disestesia, alteração da sensibilidade que pode causar formigamento, ardência ou desconforto na pele. O sintoma também ficou mais frequente conforme a dose aumentou: atingiu 4,5% dos pacientes com 4 mg, 5,6% com 9 mg e 7,3% com 12 mg. No grupo placebo, foram 0,7%.

Também foram registrados casos de pressão baixa e infecção urinária, além de interrupções do tratamento por efeitos adversos. A causa da alteração na sensibilidade ainda não é conhecida.

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A Eli Lilly pretende pedir a aprovação da retatrutida nos Estados Unidos no primeiro trimestre de 2027. Até lá, a substância só pode ser recebida legalmente por participantes de estudos clínicos. Canetas vendidas fora dessas pesquisas não têm garantia de composição, eficácia ou segurança compatíveis com os resultados do estudo.

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