Mais de 300 robôs humanoides devem participar da segunda edição da meia maratona de robótica da China. O evento, que ocorre neste domingo em Pequim, não é apenas uma demonstração de resistência, mas um teste rigoroso de avanços técnicos em um setor que o governo chinês pretende transformar em um dos pilares de sua economia. Segundo informações da Reuters, a competição deste ano apresenta terrenos mais difíceis, desenhados para avaliar a durabilidade e a autonomia das máquinas.
Com mais de 70 equipes participantes, um crescimento de quase cinco vezes em relação ao ano anterior, a prova de 21 km percorrerá inclinações pavimentadas e áreas verdes. A grande mudança, contudo, reside na inteligência das máquinas: enquanto no ano passado todos os robôs eram controlados remotamente, nesta edição quase 40% dos competidores navegarão de forma totalmente autônoma.
O destaque recai sobre o modelo Tiangong Ultra, desenvolvido pelo Centro de Inovação de Robótica Humanoide de Pequim em parceria com a UBTech. No último ano, o modelo venceu a prova com o tempo de 2 horas e 40 minutos. Embora o tempo seja o dobro do registrado por atletas humanos profissionais, o Tiangong Ultra competirá agora sem auxílio externo, utilizando sensores e simulações de dados em larga escala para mimetizar a marcha humana e desviar de obstáculos em tempo real.
Domínio global
Os números mostram que a China já lidera o setor com folga. Dados da Counterpoint Research indicam que o país foi responsável por mais de 80% das 16 mil unidades de robôs humanoides instaladas no mundo em 2025. Em comparação, a gigante americana Tesla deteve apenas 5% desse mercado. Empresas locais como AgiBot e Unitree enviaram mais de 5 mil unidades cada no último ano, com a Unitree planejando expandir sua capacidade de produção para 75 mil robôs anualmente.
Entretanto, especialistas alertam para a diferença entre “correr” e “trabalhar”. Georg Stieler, diretor da consultoria tecnológica Stieler, aponta que o desafio atual é equilibrar a qualidade de produtos em constante evolução com a pressão por preços competitivos.
Apesar do espetáculo visual, a indústria ainda enfrenta barreiras críticas. Tang Wenbin, fundador da startup Yuanli Lingji, foi enfático em um fórum recente ao afirmar que o nível do setor ainda é elementar. “Muitas vezes, o que vemos hoje é ‘dança disfarçada de trabalho'”, disse Tang, referindo-se ao fato de que, embora os robôs consigam realizar movimentos coordenados, sua taxa de sucesso em tarefas industriais complexas e sua capacidade de percepção real ainda são baixas.
Para superar essa fase, as empresas estão investindo pesado na coleta de dados. A UBTech, por exemplo, saltou de menos de 10 robôs em fábricas em 2024 para mais de mil no ano passado, com a meta de lançar 10 mil robôs humanoides de tamanho real este ano.
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