Abaixo da superfície de mundos como Marte, pode existir um dos maiores mistérios ainda não explorados da ciência: redes gigantescas de cavernas formadas por antigas erupções vulcânicas.
Na Terra, esse tipo de formação já é conhecido em regiões como o nordeste da Califórnia, onde cavernas se originaram quando lava quente escorreu durante erupções vulcânicas. Ao entrar em contato com o ar, a parte externa do fluxo esfriava e endurecia rapidamente, enquanto o interior continuava fluindo. Quando a erupção terminava, restavam túneis ocos, largos e contínuos.
Esse processo, no entanto, não é exclusivo do nosso planeta. Pesquisas indicam que estruturas semelhantes podem existir em vários corpos do Sistema Solar, especialmente onde houve atividade vulcânica no passado. Esses ambientes subterrâneos ainda são pouco conhecidos, mas podem ser muito mais comuns do que se imaginava.

Em resumo:
- Erupções vulcânicas formam tubos de lava subterrâneos;
- Marte preserva extensas redes de cavernas antigas ocultas;
- Rovers exploram superfície, mas não acessam o subsolo;
- Novos drones biomiméticos buscam entrar nessas cavernas marcianas;
- Missão enfrenta desafios como energia, ar e poeira;
- Futuras explorações podem mapear e viabilizar presença humana.
Marte tem túneis de lava gigantescos
Marte é o exemplo mais impressionante até agora. Em sua história antiga, o planeta passou por fases intensas de vulcanismo. Embora hoje pareça geologicamente calmo, ele preserva marcas profundas dessa atividade, incluindo extensos sistemas de tubos de lava.
Esses túneis chamam atenção por suas dimensões. Alguns podem ultrapassar 250 metros de largura, superando com folga cavernas vulcânicas terrestres. Além disso, já foram mapeadas redes subterrâneas que chegam a mais de 1.200 km de extensão, formando verdadeiros sistemas interligados sob o solo marciano.
Mesmo assim, os cientistas acreditam que isso pode ser apenas uma pequena parte do que existe. Como grande parte do subsolo de Marte ainda não foi explorada diretamente, novas estruturas podem estar escondidas sob camadas de rocha e poeira.
A exploração atual do planeta é feita principalmente por veículos robóticos como o Curiosity e o Perseverance – ambos da NASA. Esses equipamentos analisam o solo, estudam o clima e enviam dados para a Terra, mas atuam apenas na superfície.
O pesquisador Mostafa Hassanalian explica que um dos principais limites dessas missões é o tamanho dos rovers. Segundo ele, essas máquinas são grandes demais para entrar em fendas estreitas ou descer em cavernas profundas, o que impede a exploração subterrânea.
Robô “tatuzinho” espalharia drones “dentes-de-leão”
Além disso, Marte apresenta um ambiente hostil. Tempestades de poeira e ventos fortes podem danificar equipamentos e reduzir sua vida útil. Mesmo robôs avançados enfrentam desgaste constante nessas condições.
Diante dessas barreiras, pesquisadores começaram a desenvolver alternativas mais leves e adaptáveis. Uma das ideias mais recentes são os chamados “drones dente-de-leão”, inspirados na forma como sementes leves se espalham pelo vento na natureza.

Essa proposta faz parte da biomimética, área da ciência que busca soluções tecnológicas copiando estratégias já existentes na natureza. Em vez de criar máquinas complexas do zero, os cientistas observam sistemas naturais altamente eficientes.
No projeto, o primeiro passo seria o uso de um robô maior chamado “tatuzinho-de-jardim”, inspirado no pequeno animal terrestre que se enrola para se proteger. Esse robô seria lançado por aberturas no teto das cavernas e desceria com auxílio de paraquedas.
Ao alcançar o interior, ele liberaria milhares de minidrones extremamente leves. Esses dispositivos seriam carregados pelo ar dentro dos túneis, espalhando-se por grandes áreas subterrâneas. Durante o deslocamento, os drones coletariam dados como temperatura, umidade e geometria das cavernas, ajudando a construir mapas detalhados do subsolo marciano.

Ainda assim, há desafios importantes. Um deles é entender como o ar circula dentro dessas cavernas, já que nenhuma missão humana ou robótica entrou nesses locais até agora. Sem vento suficiente, a movimentação dos drones pode ser comprometida.
Alguns estudos sugerem que aberturas no teto das cavernas podem gerar correntes de ar naturais, o que ajudaria na dispersão dos dispositivos. Mesmo assim, projetos incluem pequenos ventiladores como suporte adicional.
Outro problema é a energia. Sem luz solar no interior das cavernas, painéis solares não funcionam. Por isso, os pesquisadores apostam na piezoeletricidade, tecnologia que gera eletricidade a partir de vibrações e movimentos mecânicos.
Até o design dos drones foi inspirado na natureza. Assim como sementes leves, eles seriam pintados de branco para refletir a luz e evitar aquecimento, o que também ajuda no desempenho durante o voo interno.
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Tecnologia é testada na Terra
Enquanto essas ideias avançam, testes são realizados na Terra. Cavernas vulcânicas na ilha de Lanzarote, na Espanha, servem como ambiente de simulação para missões futuras em Marte, permitindo testar robôs em condições semelhantes.
Entre os alvos de interesse está a região de Tharsis, onde se encontra Arsia Mons. Essa área abriga alguns dos enormes vulcões do planeta, incluindo o Monte Olimpo, o maior do Sistema Solar.

Em torno dessas estruturas, foram identificadas aberturas que sugerem a presença de vastos sistemas de cavernas subterrâneas. Estudos indicam que esses ambientes podem ter temperaturas mais estáveis do que a superfície marciana. Isso levanta hipóteses importantes: essas cavernas podem ter funcionado como abrigo natural no passado ou até preservado possíveis formas de vida microscópica.
Com o avanço da tecnologia espacial, a expectativa é que missões humanas a Marte possam ocorrer a partir da década de 2030. Quando isso acontecer, sistemas de drones e robôs devem ser essenciais para mapear cavernas e apoiar a presença humana fora da Terra.
O post Segredos dos tubos de lava em Marte podem ser desvendados por biomimética – o que é isso apareceu primeiro em Olhar Digital.