Sonda da NASA “acorda” após 321 dias e volta ao espaço profundo

Sonda da NASA “acorda” após 321 dias e volta ao espaço profundo

A sonda New Horizons, da NASA, voltou à ativa depois de passar 321 dias em hibernação. A espaçonave retomou a transmissão de dados científicos e seguirá investigando uma das regiões mais distantes já alcançadas por uma missão espacial.

O objetivo agora é estudar a área externa da influência do Sol, onde começa a transição para o espaço interestelar. A NASA confirmou que a nave está funcionando normalmente.

A sonda New Horizon coletou imagens das rugosidades de Plutão quando se aproximou do planeta anão em 2015.
A sonda da NASA que visitou Plutão agora segue viagem rumo à fronteira onde o domínio do Sol começa a desaparecer. Imagem: NASA/Johns Hopkins University Applied Physics Laboratory/Southwest Research Institute

Sonda retoma operações após quase um ano desligada

O retorno da New Horizons ocorreu sem problemas. Segundo a NASA, todos os sistemas permaneceram estáveis durante o período de hibernação programada.

Cada relatório de status durante esse período de hibernação foi ‘verde’, significando que tudo estava bem a bordo da New Horizons em todas as semanas.

Alice Bowman, gerente de operações da missão New Horizons no Laboratório de Física Aplicada da Universidade Johns Hopkins, em nota.

Lançada em 2006, a espaçonave entrou para a história por sua velocidade de partida, cerca de 36.400 milhas por hora (58.500 km/h). No caminho até a região externa do Sistema Solar, ganhou impulso ao passar por Júpiter em 2007 e realizou o primeiro sobrevoo de Plutão em 2015.

Atualmente, a New Horizons está a aproximadamente 9,5 bilhões de quilômetros, distância equivalente a cerca de 64 vezes a separação entre a Terra e o Sol.

Missão vai investigar a fronteira do espaço interestelar

A próxima etapa da jornada envolve estudos na heliosfera, região dominada pela influência do Sol. A sonda segue em direção à heliopausa, ponto onde o vento solar encontra o meio interestelar.

As sondas Voyager já ajudaram cientistas a entender essa fronteira, identificando uma barreira formada por plasma quente e denso. A New Horizons, porém, possui instrumentos mais modernos e poderá registrar informações mais detalhadas.

Entre os próximos trabalhos da missão estão:

  • analisar o hidrogênio nas regiões externas da heliosfera;
  • transmitir dados acumulados durante o período de hibernação;
  • estudar objetos gelados do Cinturão de Kuiper;
  • procurar novos alvos para observação.
Uma ilustração de Arrokoth, objeto do Cinturão de Kuiper e o objeto do Sistema Solar mais distante já visitado em um sobrevoo próximo.
Em 2019, a New Horizons visitou Arrokoth, o objeto mais distante já observado de perto por uma espaçonave. – Imagem: NASA/Johns Hopkins University Applied Physics Laboratory/Southwest Research Institute/Steve Gribben

Longa viagem ainda reserva novas descobertas

A heliopausa deve começar a cerca de 120 unidades astronômicas do Sol, quase o dobro do caminho já percorrido pela New Horizons. Até chegar lá, a nave continuará atravessando o Cinturão de Kuiper.

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Foi nessa região que a sonda visitou, em 2019, o Arrokoth, objeto com formato semelhante a um amendoim e o corpo mais distante já observado de perto por uma espaçonave.

Segundo a NASA, cada comunicação entre a Terra e a New Horizons leva cerca de 8 horas e 52 minutos. Mesmo com a enorme distância, a missão continua enviando informações importantes sobre áreas pouco exploradas do Sistema Solar.

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