Conforme noticiado pelo Olhar Digital, o primeiro cometa descoberto este ano, confirmado em janeiro pela União Astronômica Internacional (IAU) e designado como C/2026 A1 (MAPS), fez uma passagem arriscada pelo Sol neste sábado (4).
Caso resistisse ao calor intenso da estrela, poderia ter formado uma nuvem brilhante de gás e poeira ao redor do núcleo, visível durante o dia, e uma cauda com milhões de quilômetros, espetáculo raro entre cometas. Infelizmente, o destino do objeto não foi tão majestoso. Sob observação de uma sonda solar da NASA em parceria com a Agência Espacial Europeia (ESA), o cometa saiu destruído do encontro fatal.
Em resumo:
- O cometa C/2026 A1 se aproximou do Sol no sábado (4);
- A intensa radiação destruiu rapidamente o núcleo do objeto;
- Apenas fragmentos e poeira foram vistos no espaço após o encontro;
- A desintegração foi capturada pela sonda SOHO.

Fragmentação causou brilho repentino
De acordo com o guia de observação espacial EarthSky.org, o MAPS passou a apenas 160 mil km da superfície solar, entrando no campo de visão como um cometa intacto. Ao sair, restava apenas uma nuvem de poeira.
O coronógrafo C2 do satélite SOHO registrou o brilho repentino entre entre 3h e 5h da manhã, pelo horário de Brasília, causado provavelmente pela fragmentação do núcleo devido ao calor extremo.
A visão ampla do C3 permitiu acompanhar melhor a desintegração, mostrando o rastro de detritos se espalhando pelo espaço. Mesmo atrás do disco de ocultação do coronógrafo, os fragmentos já haviam vaporizado, restando apenas rastros tênues. Os cientistas continuam recebendo dados sobre o comportamento da nuvem de poeira.

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C/2026 A1 era um cometa raro
Detectado em 13 de janeiro por astrônomos amadores franceses usando remotamente um telescópio no Chile, o cometa MAPS – nome formado pelas iniciais dos sobrenomes dos descobridores (Maury, Attard, Parrott e Signoret) – detinha o recorde de cometa rasante mais distante já registrado.
Pouco depois, o astrônomo Piero Sicoli, do Observatório Astronômico de Sormano, na Itália, analisou a órbita do objeto e encontrou semelhanças com o cometa C/1963 R1 (Pereyra). Isso levantou a hipótese de que ambos fossem fragmentos de um corpo progenitor ou de outro cometa com trajetória parecida. Objetos desse tipo pertencem à família dos cometas Kreutz, nome que faz referência ao descobridor, o astrônomo alemão Heinrich Kreutz.
Os cometas Kreutz são conhecidos por passarem extremamente perto do Sol, em trajetórias que frequentemente terminam em desintegração, como foi o caso desta vez. Muitos pesquisadores acreditam que todos possam ter origem em um único cometa gigante que se fragmentou há vários séculos, espalhando pedaços que hoje seguem órbitas semelhantes – extremamente alongadas, mas que não chegam tão longe quanto a Nuvem de Oort (uma imensa reserva de objetos gelados que circunda o Sistema Solar).
O C/2026 A1 chamou atenção da comunidade científica por combinar fatores raros: ser um cometa grande da família Kreutz, ter sido detectado de forma incomum ainda distante e com potencial para rivalizar com cometas históricos, como o Ikeya-Seki, observado em 1965 – se tivesse resistido ao encontro com o Sol.

A distância de 160 mil km que ele passou da superfície solar é extremamente pequena considerando que o Sol tem em torno 139.267 km de diâmetro. A proximidade extrema poderia produzir cenários opostos: o cometa se desintegrar pelo calor e pelas forças gravitacionais ou sobreviver e brilhar intensamente após o periélio. Já sabemos qual foi o desfecho.
Mas, ao longo da história, há exemplos conhecidos para ambos os resultados. O Ikeya-Seki passou a cerca de 450 mil km do Sol em 1965, sobreviveu ao periélio e atingiu magnitude -10, tornando-se o Grande Cometa daquele ano. Já o cometa Lovejoy, em 2011, cruzou a coroa solar a apenas 140 mil km da superfície e brilhou com magnitude entre -3 e -4, mas acabou se desintegrando dias depois da aproximação.
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