A SpaceX planeja fabricar suas próprias GPUs (unidades de processamento gráfico), revelou a Reuters nesta quinta-feira (23). O plano consta em documentos de registro para a abertura de capital (IPO) da empresa, que deve ocorrer ainda em 2026.
A iniciativa busca garantir que a SpaceX tenha o poder de processamento necessário para suas ambições em inteligência artificial (IA), sem depender exclusivamente de fornecedores externos.
No documento enviado à SEC (órgão que regula o mercado financeiro nos EUA), a companhia de Elon Musk alertou investidores sobre os altos custos e os riscos de não ter suprimento de chips suficiente para sustentar seu crescimento.
Atualmente, a SpaceX não possui contratos de longo prazo com muitos de seus fornecedores diretos, o que torna a produção interna uma peça estratégica para a viabilidade de seus projetos para o futuro.
SpaceX: o projeto Terafab e o desafio da fabricação própria de chips
O coração dessa estratégia é o Terafab, complexo industrial em Austin, no Texas (EUA), desenvolvido em conjunto com a Tesla e a xAI (outras empresas de Musk).
Diferente de companhias que apenas desenham seus componentes, a visão do bilionário é que o Terafab cuide de cada etapa da produção, desde o design até a fabricação e os testes finais.
O objetivo é criar chips capazes de equipar carros autônomos, robôs humanoides e até data centers colocados no espaço (embora a SpaceX tenha admitido que eles podem não ser tão comercialmente viáveis assim).

Para tirar o projeto do papel, a empresa deve contar com a infraestrutura da Intel. Musk indicou que o processo de fabricação 14A, a próxima geração da empresa, deve estar maduro o suficiente para uso comercial no momento em que o Terafab ganhar escala.
Essa colaboração é vista pelo CEO como o “movimento certo” para garantir que a fábrica tenha a tecnologia de ponta necessária para produzir processadores de alta complexidade.
Atualmente, a indústria de chips funciona de forma fragmentada: gigantes como a Nvidia criam o projeto dos chips, mas dependem de fábricas terceirizadas, como a taiwanesa TSMC, para a construção física.
A SpaceX pretende romper esse modelo ao centralizar as etapas internamente. A ideia é evitar os gargalos logísticos e técnicos que hoje limitam a oferta global de hardware voltado para IA.
Apesar do otimismo, o caminho é tecnicamente árduo e financeiramente arriscado. A fabricação de chips de última geração exige precisão atômica e mais de mil etapas complexas, algo que poucas empresas no mundo dominam atualmente.
No próprio registro de IPO, a SpaceX foi franca com os investidores ao admitir que não há garantias de que os objetivos do Terafab serão alcançados nos prazos previstos. Nem se serão concretizados.
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