2025 começou difícil para a Starship, a SpaceX. O desenvolvimento do maior foguete do mundo enfrentou obstáculos significativos durante o ano. Dos cinco lançamentos realizados este ano, os três primeiros resultaram na perda do estágio superior da nave. Apenas os dois últimos voos – da versão “Block 2” – demonstraram com sucesso capacidades críticas, incluindo pousos suaves no oceano.
Mesmo assim, ao final do ano, com os dois voos perfeitos, tudo indica que a SpaceX está voltando aos trilhos com seu foguetão. O quinto e último teste deste ano (11º no total) mostrou que o foguete está mais maduro, repetindo alguns objetivos do já bem-sucedido lançamento de agosto (até então o único totalmente completo do ano). Esse voo marcou a despedida da versão V2, que não deve deixar saudades, e prepara o terreno para a próxima versão, que deve estrear em 2026.
Com a segunda versão (V2) encerrando seu ciclo, a empresa já direciona seus esforços para a Versão 3 (V3), um protótipo ainda mais robusto, que deve começar a testar a Starship de forma ainda mais ousada, elevando os planos da empresa – que vai precisar correr contra o tempo se quiser manter o cronograma.

Como foi cada voo da Starship em 2025?
Janeiro de 2025
O sétimo voo da Starship não foi do jeito que pensávamos e resultou em uma explosão – mas a SpaceX garante já ter desvendado o problema do lançamento.
Março de 2025
O oitavo voo da Starship não saiu como planejado. Após cerca de oito minutos do lançamento, o estágio superior do foguete começou a girar descontroladamente e perder altitude, o que resultou em uma explosão.
Maio de 2025
Já o nono voo foi marcado por uma falha geral, que mais uma vez impediu que a SpaceX completasse os objetivos previstos para o lançamento.

Agosto de 2025
Primeiro lançamento perfeito do ano. Todos os objetivos da Starship foram alcançados, incluindo a implantação de simuladores de satélites Starlink no espaço.
Outubro de 2025
Segundo lançamento perfeito, mostrando que o anterior não foi apenas “sorte”. O propulsor Super Heavy cumpriu seu papel primário: impulsionou a nave Starship e executou uma separação limpa, seguida por um pouso controlado no oceano. Enquanto isso, o estágio superior da Starship realizou uma série de testes cruciais no espaço. Um dos mais significativos foi uma nova ejeção bem-sucedida de satélites simulados por meio de uma escotilha lateral, validando o design futuro para implantar constelações de satélites Starlink.

Problemas com a NASA e a Artemis
2025 começou com Donald Trump assumindo o governo dos Estados Unidos. No início, Elon Musk teve uma grande influência na administração, assumindo o Departamento de Eficiência Governamental (DOGE). Mas logo a relação desandou.
Ainda sob a influência de Musk, Jared Isaacman foi indicado para ser administrador da NASA. O bilionário, que liderou a missão Polaris Dawn da SpaceX, prometeu fazer mudanças na agência, trazendo sua experiência corporativa para dentro dela. No entanto, a indicação de Isaacman chegou a ser cancelada e a NASA passou a maior parte do ano sob o comando de Sean Duffy (até que o empresário fosse novamente indicado e assumisse a agência no último dia 17).
Mas isso não significa que a relação de Musk com a agência melhorou. A Starship é parte central do programa Artemis, sendo o módulo de pouso dos astronautas na Lua.
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Recentemente, um cronograma interno da SpaceX, obtido pelo site Politico, indica que a Artemis 3, a primeira missão tripulada à Lua só ocorreria em setembro de 2028.
O documento revela que a SpaceX planeja realizar a primeira demonstração crítica de reabastecimento orbital entre naves Starship apenas em junho de 2026, seguida por um pouso lunar não tripulado em junho de 2027. Esses marcos são considerados essenciais antes de qualquer tentativa de missão com astronautas.
A NASA ainda aguarda a apresentação formal do cronograma revisado pela SpaceX e, oficialmente, mantém a Artemis 3 programada para 2027.
O que esperar da Starship no futuro?
A ambição da SpaceX vai muito além da órbita terrestre e da Lua, Elon Musk visa colonizar Marte com o foguete. Para essas missões de espaço profundo, a SpaceX precisa dominar uma tecnologia nunca antes demonstrada em escala: o reabastecimento orbital.
Esse processo, que envolve a transferência de combustível entre naves Starship no espaço, é um gargalo tecnológico. As estimativas de quantos voos de reabastecimento seriam necessários para uma única missão lunar variam dramaticamente – de cerca de 10, segundo um executivo da SpaceX, até possíveis 40, de acordo com análises externas –, destacando a incerteza inerente a esse empreendimento. A V3 será crucial nisso.
Como mencionado, vimos o estágio superior da Starship pousar no Oceano Índico. Mas os planos para o futuro são ousados: pousar a nave na própria Starbase, para que seja reutilizada.

Esse deve ser o próximo grande objetivo da Starship. Talvez não ocorra no próximo lançamento, mas é algo no qual a empresa vem trabalhando. Algumas atualizações adicionadas ao décimo teste foram, inclusive, voltadas para aproximar a nave desse plano.
O pouso, entretanto, é algo complexo. Pousar a Starship na Starbase, mesmo local de decolagem, pode ser perigoso e causar danos estruturais na base de lançamento. Por isso, a SpaceX trata esse objetivo com bastante cautela.
Em suma, enquanto o voo de teste mais recente da Starship representa um salto monumental e prova a resiliência de seu design, ele também serve como um lembrete vívido de que a jornada para transformar a Starship de um protótipo de teste em uma nave espacial operacional – capaz de levar a humanidade de volta à Lua e além – está apenas começando. A transição para a Versão 3 será o próximo grande teste para determinar se a SpaceX pode cumprir suas promessas transformadoras.
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