O El Niño de 2026 já atingiu a maior intensidade registrada, segundo a Agência Meteorológica do Japão. Na sexta-feira, a instituição informou que as temperaturas do Pacífico tropical chegaram a ficar até 4 °C acima da média, superando o recorde anterior de 3,6 °C, registrado em dezembro de 1997. A previsão é que o fenômeno continue ganhando força nos próximos meses, com possíveis consequências para o clima em diferentes regiões do planeta.
De acordo com a Organização Meteorológica Mundial (OMM), o evento deve se intensificar ao longo de outubro e novembro, atingindo seu pico em dezembro. A organização também considera quase certa a permanência do El Niño até fevereiro de 2027. Se as previsões se confirmarem, o episódio poderá estar entre os mais intensos desde pelo menos 1950.
O que explica a intensidade do El Niño?
O El Niño é um fenômeno climático caracterizado pelo aumento das temperaturas da superfície do mar nas regiões central e oriental do Oceano Pacífico, próximo à linha do Equador. Seus efeitos se estendem pelo mundo, alterando os padrões de chuva e contribuindo para temperaturas acima da média em diversas regiões.
Em comunicado, a secretária-geral da OMM, Celeste Saulo, afirmou que o fenômeno está estabelecido e se fortalecendo rapidamente. Segundo ela, as projeções indicam uma probabilidade próxima de 100% de que o El Niño persista até fevereiro de 2027, com potencial para figurar entre os mais fortes já observados.
O aquecimento atual também chama a atenção pela velocidade com que as temperaturas estão subindo. Conforme dados da OMM, a anomalia térmica da superfície do mar no Pacífico equatorial centro-oriental passou de 1,6 °C acima da média, em junho de 2026, para 2,5 °C em agosto.
A agência meteorológica japonesa projeta temperaturas de até 4 °C acima do normal. Já a OMM estima que a anomalia chegue a aproximadamente 3,7 °C entre outubro e dezembro. Apesar da diferença entre as projeções, ambas apontam para um evento de intensidade excepcional.
Chuvas intensas e secas podem afetar diferentes regiões
O El Niño não produz calor novo no planeta. Segundo Saulo, o fenômeno libera parte do calor que o oceano já armazenava abaixo da superfície. Esse processo pode contribuir para que determinados anos atinjam temperaturas globais muito elevadas, como ocorreu em 2024.
A secretária-geral da OMM também destacou que os oceanos estão mais quentes do que em qualquer outro momento já medido, o que significa que há mais calor disponível para ser liberado. Nesse cenário, a combinação entre o El Niño e as mudanças climáticas pode favorecer a ocorrência de extremos meteorológicos.
O planeta já registrou alguns desses efeitos em 2026. Agosto foi o mês mais quente já observado globalmente, acompanhado de um recorde na temperatura da superfície dos oceanos.
Embora as mudanças climáticas e as variações naturais também possam explicar parte desses extremos, o El Niño provavelmente teve um papel importante.

A previsão indica maior probabilidade de chuvas intensas no Chifre da África, em partes da Ásia Central e do leste costeiro da Ásia, no norte da Península Arábica, em áreas da América do Norte ao sul da latitude de 45° norte e no sudeste da América do Sul. Nessas regiões, o aumento das precipitações pode elevar o risco de enchentes, deslizamentos de terra e outros desastres relacionados ao clima.
Por outro lado, condições mais secas são esperadas no subcontinente indiano, no sul da América Central, em partes do Caribe e no noroeste da América do Sul. A redução das chuvas pode favorecer secas e incêndios florestais.
Os eventos extremos já deram uma amostra dos possíveis impactos do fenômeno. No entanto, se as projeções mais recentes estiverem corretas, os efeitos mais intensos ainda podem estar por vir.
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