Superterras podem ser mais habitáveis do que cientistas pensavam

Superterras podem ser mais habitáveis do que cientistas pensavam

Oceanos de rocha derretida escondidos nas profundezas de planetas chamados superterras podem funcionar como escudo. É o que revela um estudo da Universidade de Rochester, nos EUA. Segundo a pesquisa, essas camadas de magma geram campos magnéticos fortes o suficiente para barrar a radiação do espaço, que é prejudicial à vida. O processo é diferente do que ocorre na Terra, onde nossa proteção magnética vem do movimento do ferro líquido no centro do planeta.

Essa descoberta muda a forma como pesquisadores procuram por planetas habitáveis fora do nosso Sistema Solar. Como as superterras são os planetas mais comuns da galáxia e muitas estão em áreas onde poderia existir água líquida, saber que elas possuem um “escudo invisível” aumenta as chances de encontrarmos vida extraterrestre. Sem essa proteção magnética, a atmosfera de um planeta pode ser “soprada” pelos ventos das estrelas, o que torna o ambiente seco e sem vida.

Pressão extrema transforma rocha em metal e cria proteção magnética

Para entender como superterras (exoplanetas maiores do que a Terra) funcionam por dentro, os cientistas usaram lasers potentes. Eles esmagaram amostras de rocha, o que recriou a pressão extrema encontrada nas profundezas das superterras. Assim, os pesquisadores descobriram que, sob esse peso esmagador, a rocha derretida muda de comportamento e passa a conduzir eletricidade como se fosse metal. Esse magma “metálico” em movimento cria um motor elétrico natural, chamado de dínamo, que gera o campo magnético ao redor do planeta.

Núcleo da Terra
Na Terra, nossa proteção magnética vem do movimento do ferro líquido no centro do planeta (Imagem: AlexLMX/Shutterstock)

Essa proteção parece ser mais comum em planetas com entre três e seis vezes o tamanho da Terra. Nesses mundos gigantes, o calor e a pressão interna são tão altos que o oceano de magma pode durar bilhões de anos sem solidificar. Na Terra, existiu uma camada parecida logo após sua formação, mas ela esfriou e virou rocha sólida há muito tempo. Ou seja: por serem maiores, superterras conseguem manter esse “escudo de magma” ativo por muito mais tempo que o nosso planeta.

Os cálculos mostram que o campo magnético criado por esse magma pode ser até dez vezes mais forte do que o gerado pelo núcleo da Terra. Isso explica por que esses planetas podem ser seguros para a vida, mesmo que não tenham um centro de ferro líquido igual ao nosso. Em nosso Sistema Solar, planetas como Marte e Vênus não têm esse escudo, o que os torna mundos áridos e desprotegidos contra a radiação solar.

Apesar de ainda ser difícil “enxergar” o magnetismo de planetas tão distantes, os cientistas acreditam que novas tecnologias permitirão confirmar essas previsões em breve. Na prática, essa nova peça do quebra-cabeça espacial pode colocar superterras no topo da lista de prioridades para a exploração científica. E, quem sabe, espacial.

(Essa matéria usou informações de Nature Astronomy e Universidade de Rochester.)

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