Conforme noticiado pelo Olhar Digital, a NASA liberou há cerca de 10 dias mais de 12 mil imagens impressionantes da missão Artemis 2 feitas pelos próprios astronautas durante a viagem ao redor da Lua.
Além dos milhares de registros obtidos pela tripulação a bordo, uma foto divulgada recentemente chama a atenção não pela estética, como a maioria das belas observações feitas do ponto de vista da espaçonave, mas por um motivo diferente: ela parece simples e borrada, mas representa um enorme feito tecnológico.
Em resumo:
- Telescópio terrestre registrou cápsula Orion orbitando a Lua durante a missão Artemis 2;
- Imagem pixelizada mostra humanos mais distantes já fotografados a partir da Terra;
- Radiotelescópio detectou sinais da nave a 343 mil km de distância;
- Dados coletados ajudarão futuras missões lunares do programa Artemis da NASA.
Imagem é a foto de humanos mais distante feita da Terra
A imagem mostra a cápsula Orion, batizada de Integrity pelos integrantes da missão, aparecendo apenas como alguns pixels em preto e branco. Mesmo sem detalhes visíveis, o registro pode entrar para a história como a fotografia de seres humanos feita da Terra na maior distância já alcançada.
O clique foi divulgado pelo Observatório Nacional de Radioastronomia dos EUA (NRAO) no dia 6 de maio e foi obtido pelo Telescópio Robert C. Byrd Green Bank, localizado no estado da Virgínia Ocidental. O equipamento é considerado o maior radiotelescópio totalmente móvel do planeta.

O enorme telescópio possui uma antena de 100 metros de diâmetro instalada sobre trilhos circulares, permitindo acompanhar objetos em movimento no espaço. Durante toda a missão Artemis 2, ele foi usado para rastrear a cápsula Orion enquanto ela viajava ao redor da Lua.
No momento do registro, a espaçonave estava a cerca de 343 mil km da Terra. A cápsula seguia em órbita lunar a aproximadamente 3.200 km/h. Apesar da distância gigantesca, o telescópio conseguiu detectar os sinais de rádio emitidos pela nave e transformá-los na imagem pixelizada divulgada pelos cientistas.
Missão Artemis 2 “se escondeu” atrás da Lua após registro
A captura foi feita em 6 de abril, no sexto dia da missão. Na ocasião, a cápsula estava posicionada no mesmo lado da Lua voltado para a Terra. Pouco depois, os astronautas desapareceram temporariamente atrás do lado oculto lunar, momento em que quebraram o recorde de maior distância já percorrida por humanos além do nosso planeta.
À primeira vista, a imagem pode parecer pouco impressionante. No entanto, pesquisadores destacam que o verdadeiro impacto está no que ela representa: quatro pessoas viajando pelo espaço profundo, captadas por um instrumento instalado na Terra a centenas de milhares de quilômetros de distância.
O astrônomo Will Armentrout, integrante da equipe do telescópio, resumiu a emoção do momento em poucas palavras: “Há quatro pessoas nesses pixels”.
A tripulação da Artemis 2 era formada pelo comandante Reid Wiseman, pelo piloto Victor Glover e pela especialista de missão Christina Koch – os três, da NASA. O grupo também contou com Jeremy Hansen, da Agência Espacial Canadense (CSA).

Telescópio monitorou cápsula Orion ao longo de toda a missão
A missão começou em 1º de abril, quando a cápsula Orion decolou no topo do Space Launch System (SLS) rumo à Lua. Após completar a viagem, a espaçonave retornou à Terra no dia 10 daquele mês, pousando no Oceano Pacífico.
Ao longo da missão, milhões de pessoas acompanharam transmissões ao vivo feitas pelos astronautas. O público viu desde pequenos problemas dentro da cápsula até momentos emocionantes compartilhados pela equipe durante a jornada espacial.
Leia mais:
- Vídeo em timelapse mostra a Terra observada pela missão Artemis 2
- Artemis 2: comandante divulga vídeo inédito do retorno da tripulação à Terra
- Fotos feitas pelas missões Apollo 8 e Artemis 2 mostram como a Terra mudou em quase 60 anos
Enquanto isso, os cientistas do telescópio Green Bank monitoravam cada movimento da nave. Em janelas de observação de até seis horas, os pesquisadores conseguiram medir a velocidade da cápsula com precisão extremamente alta.
Segundo o diretor do observatório, Anthony Remijan, o sistema foi capaz de detectar diferenças de apenas 0,2 milímetros por segundo em relação aos cálculos previstos pela NASA. Para comparação, ele afirmou que seria como um velocímetro automotivo capaz de medir velocidade com precisão de quatro casas decimais.
Os dados coletados durante a Artemis 2 serão usados para melhorar futuras missões do programa Artemis. O principal objetivo da NASA é levar astronautas novamente à superfície lunar e, no futuro, estabelecer uma presença humana permanente na Lua.
O post Telescópio na Terra flagrou a missão Artemis 2 orbitando a Lua apareceu primeiro em Olhar Digital.