A tempestade geomagnética que iluminou os céus do Reino Unido com auroras intensas em maio de 2024 também revelou limitações na capacidade do país de proteger sistemas essenciais contra fenômenos espaciais severos.
A avaliação foi feita pelo Space Environment Impacts Expert Group (SEIEG), grupo formado por especialistas de diferentes áreas científicas, que apresentou 14 recomendações para reforçar a segurança de redes elétricas, satélites, aviação e outras estruturas críticas.
O levantamento foi divulgado durante o National Astronomy Meeting 2026, em Birmingham, pelo presidente do SEIEG, professor Richard Horne, do British Antarctic Survey. A equipe concluiu que o episódio, embora tenha provocado poucos impactos no Reino Unido, mostrou vulnerabilidades que poderiam ser mais graves em uma tempestade de maior intensidade.
Falhas no monitoramento elétrico e riscos crescentes no espaço

A tempestade de maio de 2024 atingiu a categoria G5, o nível máximo da escala de tempestades geomagnéticas utilizada pela Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA). A intensidade foi resultado da chegada consecutiva de cinco ejeções de massa coronal vindas do Sol em um intervalo de dois dias.
Apesar da forte atividade solar, os danos registrados no Reino Unido foram limitados. Para os pesquisadores do SEIEG, o principal resultado do fenômeno foi evidenciar lacunas de preparação diante de um cenário mais extremo.
Um dos setores considerados mais vulneráveis é o de energia elétrica. Tempestades geomagnéticas podem alterar o campo magnético terrestre e gerar correntes elétricas induzidas no solo, capazes de interferir em equipamentos conectados a grandes sistemas condutores, como linhas de transmissão e transformadores.
A análise do grupo apontou que modelos computacionais estimaram correntes superiores a 50 ampères em algumas subestações durante o evento, com pico aproximado de 68 ampères. No entanto, a ausência de instrumentos específicos de medição na Inglaterra e no País de Gales impede a confirmação direta desses valores.

Entre as medidas sugeridas está a instalação de uma rede de equipamentos para acompanhar essas correntes em diferentes transformadores. Os especialistas destacaram que a Nova Zelândia já possui monitoramento em dezenas de locais, utiliza dados reais para validar seus modelos e aplica procedimentos de mitigação durante a tempestade de maio de 2024.
Outro ponto de atenção envolve o aumento da ocupação da órbita baixa da Terra. Durante o fenômeno solar, cerca de 5 mil satélites realizaram manobras, enquanto antes da tempestade esse número era próximo de 300. Além disso, satélites licenciados pelo Reino Unido receberam 35% mais alertas de risco de colisão.
O SEIEG também defendeu avanços na previsão de ejeções de massa coronal e de eventos envolvendo partículas energéticas solares. A meta indicada pelo grupo é alcançar previsões confiáveis de tempestades geomagnéticas severas com duas a três horas de antecedência, permitindo ações preventivas por operadores de infraestrutura.
A equipe considera que a tempestade de 2024 representou uma oportunidade para aprimorar sistemas de observação, ampliar pesquisas e melhorar a capacidade de resposta antes da ocorrência de eventos mais intensos.
O grupo afirmou que uma tempestade semelhante à de Carrington, registrada em 1859, continua sendo um risco possível: esse tipo de fenômeno tem estimativa de 1% de chance de ocorrer em qualquer ano.
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