Terremoto acorda vulcão adormecido há 500 anos na Rússia e NASA grava erupção do espaço

Terremoto acorda vulcão adormecido há 500 anos na Rússia e NASA grava erupção do espaço

Um forte terremoto na costa da Rússia, em julho de 2025, despertou o vulcão Krasheninnikov, que não entrava em erupção desde aproximadamente 1550. A atividade passou a ser monitorada pela missão NISAR, da NASA e da agência espacial da Índia.

Com tecnologia de radar, o satélite registra as mudanças na paisagem mesmo durante a noite ou quando há nuvens. As imagens mostram a lava ocupando a parte mais profunda do vulcão e, depois, avançando pela encosta.

Vulcão Krasheninnikov coberto de neve e emitindo uma coluna de material em Kamchatka
Imagem de satélite do vulcão Krasheninnikov, na península de Kamchatka, registrada em 14 de novembro de 2025 pelo satélite Landsat 9. A imagem mostra uma coluna vulcânica sobre a caldeira e um fluxo de lava se estendendo para nordeste. – Imagem: NASA Earth Observatory

De olho no vulcão do espaço

Após o terremoto, o Krasheninnikov começou a expelir grandes quantidades de lava e material rochoso derretido. O NISAR passa sobre a região duas vezes a cada 12 dias, reunindo registros que mostram como a paisagem se transforma durante a erupção.

Os cientistas juntaram as imagens feitas ao longo dos meses e criaram um vídeo acelerado, conhecido como time-lapse. Na sequência, a lava preenche a parte mais profunda do vulcão e depois transborda pela encosta, espalhando-se em formato de leque.

Os registros também revelaram mais de um caminho percorrido pelo material vulcânico:

  • O principal fluxo de lava segue em direção ao leste;
  • Outro caminho de material vulcânico foi identificado a noroeste;
  • A descoberta indica que o vulcão já havia começado a liberar lava antes do primeiro registro do satélite;
  • As imagens permitem acompanhar as mudanças provocadas pela erupção ao longo dos meses.

Como o radar enxerga a lava

O NISAR não produz imagens convencionais. O satélite envia milhares de sinais de micro-ondas por segundo em direção à superfície da Terra e mede como eles atingem o solo e retornam ao equipamento.

Depois, um computador processa essas informações para ajustar o foco e transformá-las em imagens de alta resolução. Como o sistema não depende de iluminação natural, consegue registrar a região também durante a noite. As nuvens tampouco impedem a captação.

Nas imagens, a lava aparece mais clara do que a neve e o terreno ao redor porque a superfície formada pelo material vulcânico reflete o sinal do radar com maior intensidade.

O conjunto de registros também ajudou a identificar que a atividade vulcânica havia começado antes da primeira imagem feita pelo NISAR. O monitoramento mostra, ao longo dos meses, como a lava avançou pelo Krasheninnikov depois do terremoto que despertou o vulcão após cerca de cinco séculos de dormência.

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