Após estrear como a resposta da Meta ao antigo Twitter, hoje X, o Threads alcançou a marca de 500 milhões de usuários. O número foi divulgado pela empresa no mês passado e coloca a plataforma em um patamar semelhante ao da rede de Elon Musk, enquanto a companhia mantém a meta de chegar a 1 bilhão de usuários.
Lançado em 2023, o aplicativo deixou de ser visto apenas como um concorrente direto do X e passou a apostar em outro modelo de uso. Em vez de priorizar um fluxo contínuo de notícias, a plataforma vem estimulando a formação de comunidades temáticas, onde usuários discutem assuntos como entretenimento, esportes, cultura pop e acontecimentos do momento.

Comunidades se tornam o principal foco do Threads
Connor Hayes, chefe do Threads, explicou ao jornal The New York Times que o crescimento da plataforma foi guiado por um princípio simples: acompanhar a forma como as pessoas desejam utilizar o serviço. O executivo afirmou que o objetivo da empresa é transformar o aplicativo na “maior e melhor plataforma para conversas públicas“.
Na prática, o Threads passou a incorporar recursos voltados para esse comportamento. Entre eles estão áreas dedicadas a comunidades específicas, distintivos para usuários mais ativos e opções para personalizar os algoritmos que organizam o conteúdo exibido no aplicativo.
Os temas mais populares incluem K-pop, WNBA, relacionamentos, livros do gênero dramedy e séries de televisão, indicando uma concentração maior em interesses compartilhados do que em debates políticos ou na cobertura de notícias.
Meta mantém foco em IA, mas Threads segue crescendo
Embora o Threads continue expandindo sua base de usuários, a plataforma não ocupa o centro da estratégia da Meta. Nos últimos anos, o CEO Mark Zuckerberg direcionou grande parte dos investimentos da empresa para áreas como inteligência artificial e metaverso.
O próprio Zuckerberg classificou o Threads como um possível “quinto grande aplicativo” da família da Meta, atrás de Instagram, Facebook, WhatsApp e Messenger.
Ainda assim, analistas veem potencial de crescimento. Melissa Otto, chefe de pesquisa da S&P Global Visible Alpha, afirmou ao NYT que o desenvolvimento da plataforma ocorre de forma mais lenta que o dos demais aplicativos da Meta, mas considera que ainda existe espaço para expansão.
Recursos para incentivar participação
Inicialmente, o Threads dependia fortemente do Instagram para atrair usuários. Na época do lançamento, era necessário vincular uma conta do Instagram para criar um perfil na nova rede.
A liderança da plataforma mudou em julho do ano passado, quando Mark Zuckerberg nomeou Connor Hayes, então vice-presidente de IA generativa da Meta, para comandar o Threads como uma plataforma independente.

Desde então, novos recursos foram adicionados. Em outubro, começaram a ser criados canais oficiais para algumas comunidades. Em dezembro, usuários mais ativos passaram a receber perfis personalizados por meio do programa de “community champions“, além de participarem de eventos presenciais e sessões coletivas para acompanhar conteúdos.
Hayes comparou a experiência atual do Threads aos primeiros anos do Facebook e afirmou que um dos principais diferenciais do aplicativo é manter o foco em conversas entre pessoas, em contraste com o aumento da presença de conteúdos produzidos por inteligência artificial em outras plataformas da empresa.
IA, publicidade e expansão internacional
Apesar desse foco nas interações humanas, o Threads também começou a integrar recursos de IA. Em maio, parte dos usuários passou a poder mencionar a conta Meta AI para fazer perguntas, em um funcionamento semelhante ao chatbot Grok, disponível no X.
A monetização da plataforma também começou neste ano. Em janeiro, a Meta iniciou a exibição de anúncios no Threads, embora ainda não tenha divulgado dados sobre faturamento ou nível de engajamento dos usuários.
Segundo a empresa, cresce também a proporção de pessoas que chegam ao Threads sem depender de promoções feitas no Instagram ou no Facebook. A Meta destacou ainda o avanço do aplicativo na Ásia, onde o tempo total de uso aumentou 80% na Coreia do Sul e 130% no Japão ao longo do último ano.
Enquanto isso, outras redes sociais baseadas em texto enfrentam dificuldades. O X informou, em março, que sua receita publicitária caiu US$ 100 milhões no trimestre anterior. Já o Mastodon soma 758 mil usuários ativos, enquanto o Bluesky informou ter alcançado 45 milhões de usuários neste ano.
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