Recentemente, o pesquisador Arsalan Tariq publicou uma pesquisa no periódico Open Heart a qual confirma que o horário escolhido para praticar exercícios físicos está diretamente conectado às vantagens adquiridas pelo treino. Isto é, ajustar o treino ao relógio biológico de cada um é fundamental para ampliar benefícios para o coração e metabolismo.
O periódico Open Heart é uma revista médica online, focada em publicar estudos sobre a medicina cardiovascular e cirurgia. A pesquisa, da qual Arsalan Tariq é o principal nome, pode ser lida neste link.
Para quem tem pressa:
- Pesquisa identificou que escolher o horário certo para treinar faz o corpo colher mais resultados;
- O horário certo, em verdade, é aquele no qual o indivíduo sente maior disposição para realizar suas atividades do dia, seja pela manhã, tarde ou noite;
- Dentre os maiores benefícios adquiridos, destacam-se a queda da pressão arterial e até a melhora na qualidade do sono.
Metodologia aplicada e resultados alcançados

O estudo é um ensaio clínico randomizado o qual captou o total de 150 adultos sedentários entre 40 e 60 anos. Esses participantes foram divididos em dois grupos.
O primeiro grupo ficou encarregado de treinar no horário no qual se sentia mais ativo (pela manhã ou noite), ou seja, de acordo com o seu cronotipo. Já o segundo grupo se exercitou sempre no horário oposto ao do primeiro.
Após 12 semanas, os dados colhidos apontaram que aqueles que treinaram no horário alinhado ao próprio relógio biológico (o grupo um) colheu resultados mais significativos.
Dentre os principais benefícios observados, podemos citar:
- Queda mais acentuada da pressão arterial;
- Melhora na variabilidade dos batimentos cardíacos;
- Aumento da aptidão cardiorrespiratória;
- Diminuição do colesterol LDL (“colesterol ruim”);
- Redução da glicemia em jejum;
- Melhora relevante na qualidade do sono.
A pesquisa confirmou que houve uma queda maior na pressão arterial do grupo que treinou no horário ajustado ao seu cronotipo.
- No grupo um, houve uma queda de 10,8 mmHg;
- No grupo dois, uma queda de 5,5 mmHg.
Nos participantes que detém hipertensão, a queda foi ainda mais significativa:
- 13,6 mmHg no grupo um;
- 7,1 mmHg no grupo dois.
Os achados também mostram que não há um horário ideal que funcione igualmente para todos. Indivíduos com preferência por atividades matinais tiveram melhor desempenho quando treinavam cedo, enquanto aqueles com cronotipo noturno obtiveram resultados mais positivos ao se exercitarem no período da noite.
De acordo com a pesquisa, isso acontece porque o cronotipo afeta diversos processos do organismo, como os ciclos de sono e vigília, a produção hormonal e a variação dos níveis de energia ao longo do dia.
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A influência do cronotipo nos resultados obtidos pelo treino

O cronotipo é controlado pelo ritmo circadiano, um mecanismo biológico interno responsável por organizar diversas funções do corpo ao longo do dia, incluindo a pressão arterial, os batimentos cardíacos, o metabolismo da glicose e a atividade dos vasos sanguíneos.
Segundo os pesquisadores, quando a rotina diária não está alinhada a esse “relógio biológico” — situação conhecida como “jet lag social” — podem surgir impactos negativos, especialmente para a saúde cardiovascular.
Limitações encontrados no estudo

Os autores reconhecem que os resultados precisam ser interpretados com cautela devido a algumas restrições do desenho do estudo. Entre elas, destaca-se o fato de a amostra ser composta exclusivamente por pacientes atendidos em hospitais públicos de Lahore, além da ausência de indivíduos com cronotipo intermediário, o que reduz o alcance das conclusões para outros perfis populacionais.
Mesmo com essas limitações, o estudo contribui para um corpo crescente de evidências que sugere que o horário em que a atividade física é realizada pode ter influência relevante sobre desfechos de saúde.
Na visão de especialistas, ainda é necessário validar essa relação em contextos mais amplos e variados, incluindo populações heterogêneas, trabalhadores com turnos alternados e diferentes realidades socioculturais, para verificar se os efeitos observados se mantêm fora do ambiente controlado da pesquisa.
Se futuros estudos confirmarem esses achados, a personalização do horário de exercício com base no relógio biológico pode representar uma mudança significativa nas recomendações de saúde, permitindo intervenções mais individualizadas e potencialmente mais eficazes na redução do risco cardiovascular.
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