Um em 50 milhões: pescadores capturam lagosta com divisão perfeita de cores

Um em 50 milhões: pescadores capturam lagosta com divisão perfeita de cores

Pescadores do barco Timothy Michael tiveram uma sorte estatisticamente improvável no dia 16 de abril. Ao lançar as redes na costa de Cape Cod, em Massachusetts, capturaram uma lagosta com coloração bilateral dividida — um fenômeno tão raro que ocorre em apenas 1 a cada 50 milhões desses crustáceos. O animal, que pesa mais de 1,3 quilo, foi doado ao Woods Hole Science Aquarium.

A equipe do aquário percebeu imediatamente a singularidade do espécime. Julia Studley, bióloga da instituição, conta que os preparativos para receber a lagosta da Wellfleet Shellfish Company começaram sem demora. O crustáceo chama atenção por apresentar uma linha exata separando duas colorações distintas — um fenômeno que os frequentadores das redes sociais já apelidaram de “algodão-doce” (cotton candy) devido aos tons pastel.

A genética por trás das duas cores

A explicação para essa divisão está na origem do animal. Segundo Studley, a colorização dupla ocorre quando dois ovos fertilizados, ainda não liberados pela fêmea, se fundem e um acaba absorvendo o outro. O resultado é uma lagosta que carrega dois conjuntos de informações genéticas — e, portanto, duas instruções de pigmentação diferentes, uma para cada lado da carapaça.

O fenômeno está ligado à forma como a lagosta processa a astaxantina, o pigmento que dá cor ao crustáceo. Dependendo de como as camadas desse pigmento se combinam, o animal pode exibir tons que vão do vermelho ao azul, passando por amarelo, roxo e marrom. No caso da lagosta bicolor, cada metade do corpo seguiu um desses “manuais de instruções”.

Em alguns casos, essa anomalia genética pode resultar em ginandromorfismo — quando o organismo é metade macho, metade fêmea. O fenômeno já foi documentado em aves (como o bem-te-vi-verde da Colômbia), abelhas, borboletas, aranhas e bichos-pau.

Lagostas com variações extremas de cor são objetos de fascínio para biólogos e para o público. As estatísticas ajudam a dimensionar o achado:

  • Lagostas azuis: 1 a cada 2 milhões
  • Lagostas vermelhas (vivas): 1 a cada 10 milhões
  • Lagostas com coloração bilateral dividida: 1 a cada 50 milhões
  • Lagostas albinas ou “algodão-doce” completas: 1 a cada 100 milhões

Dan Brandt, diretor de operações da Wellfleet Shellfish Company, observa que crustáceos com coloração incomum geralmente não sobrevivem muito tempo na natureza. A falta de camuflagem adequada os torna presas fáceis. “O fato desta ter alcançado mais de três libras [1,3 kg] significa que ela passou por muita coisa”, disse Brandt.

A lagosta ficará sob cuidados da equipe do aquário enquanto o Woods Hole Science Aquarium passa por uma grande reforma. Quando reabrir, no início de 2027, o animal será exibido ao público. A equipe ainda não lhe deu um nome — pretendem conhecer melhor sua personalidade antes de batizá-la, considerando que lagostas podem viver até 100 anos.

“Esperamos que os visitantes compreendam o quão único este animal é e como é incrível ver a genética em ação em uma espécie local tão icônica”, disse Studley. “Este animal não é apenas fascinante de observar, mas também serve como um grande lembrete de como os mecanismos genéticos são intrincados e de quanto devemos agradecer pela diversidade que vemos no mundo ao nosso redor.”

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