O julgamento entre Elon Musk e a OpenAI retomou suas atividades nesta segunda-feira (4) com uma mudança de tom. Segundo o TechCrunch, a defesa do bilionário convocou sua única testemunha especialista, Peter Russell, cientista da computação da Universidade da Califórnia, Berkeley, para tentar provar que a busca desenfreada pelo lucro compromete a segurança global.
O dilema da AGI
Russell, uma autoridade no campo da IA há décadas, explicou aos jurados e à juíza Yvonne Gonzalez Rogers que existe uma tensão irreconciliável entre a pressa para atingir a AGI (Inteligência Artificial Geral) e a garantia de que ela seja segura.
Para o especialista, o modelo atual de desenvolvimento criou uma dinâmica de “vencedor leva tudo”, o que empurra as empresas para uma corrida tecnológica. Entre os riscos citados por ele, destacam-se:
- Cibersegurança: o potencial de modelos avançados serem usados para ataques em larga escala.
- Desalinhamento: a possibilidade de a IA seguir objetivos que ignorem ou prejudiquem valores humanos.
- Pressão por capital: a percepção de que a segurança é deixada de lado quando o objetivo principal é satisfazer investidores.
Juíza mantém o veto ao “juízo final”
Assim como fez no depoimento de Elon Musk, a juíza Yvonne Gonzalez Rogers foi rigorosa ao limitar o testemunho de Russell. Após objeções dos advogados da OpenAI, a magistrada impediu que o professor se aprofundasse em teorias sobre a extinção humana ou ameaças existenciais catastróficas.
A intenção da juíza é manter o foco do júri em questões palpáveis e contratuais, evitando que o tribunal se transforme em um debate filosófico sobre o destino da civilização.
A estratégia de defesa da OpenAI
No contraintrogatório, os advogados da OpenAI foram cirúrgicos ao tentar esvaziar o peso do depoimento de Russell. A estratégia foi mostrar que, embora ele seja um gênio da computação, não tinha conhecimento direto das entranhas da empresa:
- Falta de auditoria: Russell admitiu que não avaliou diretamente a estrutura corporativa da OpenAI, nem suas políticas internas específicas de segurança.
- Contradições de Musk: foi ressaltado que Russell e Musk assinaram a famosa carta pedindo uma pausa na IA em 2023, mas Musk seguiu em frente lançando sua própria empresa lucrativa, a xAI.
O depoimento de hoje reforça um paradoxo deste julgamento: quase todos os fundadores da OpenAI (e o próprio Musk) já emitiram alertas dramáticos sobre os riscos da IA, enquanto simultaneamente tentam construí-la o mais rápido possível sob seu próprio controle.
O caso agora gira em torno de uma pergunta fundamental para o júri: o desejo de lucro da OpenAI foi o que causou essa corrida, ou a necessidade de capital bilionário para processamento de dados tornou a transição para o lucro inevitável?
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