Videogame vira ferramenta para prever batalhas do Exército britânico

Videogame vira ferramenta para prever batalhas do Exército britânico

Um tanque explode no centro de Riga, pessoas correm pelas ruas e um comboio da Otan tenta avançar em meio ao caos. A cena parece parte de um videogame, mas foi criada em um ambiente virtual para treinar soldados britânicos.

Segundo o The Guardian, a tecnologia da empresa Skyral recria cidades reais, infraestrutura e características da população para ajudar militares a testar decisões antes de colocá-las em prática.

Um soldado usando óculos de realidade virtual interage com a rede.
Chamado de um ‘Fortnite com esteroides’, o sistema transforma tecnologia dos games em ferramenta para treinamento militar. – Imagem: K_E_N/Shutterstock

Cidades virtuais recriam conflitos antes de operações reais

A demonstração aconteceu em Riga, na Letônia, usando ruas reais da cidade como base para a simulação. No ambiente digital, a Skyral reproduziu prédios, lojas e diferentes reações de moradores diante de uma situação de conflito.

A empresa faz parte de um consórcio que venceu um contrato de £2 bilhões (cerca de R$ 15 bilhões) do Ministério da Defesa do Reino Unido para apoiar o treinamento das forças britânicas.

A proposta não é apenas reproduzir batalhas ou ensinar o funcionamento de equipamentos. A ideia é mostrar como uma decisão militar pode afetar outros setores, como infraestrutura, logística e comportamento da população.

Entre os elementos que podem ser simulados estão:

  • Mudanças no comportamento da população após ataques;
  • Impactos em redes de energia e infraestrutura;
  • Alterações em rotas logísticas;
  • Resultados de decisões estratégicas em diferentes situações.

Tecnologia transforma mundos virtuais em ferramenta militar

A Skyral nasceu a partir de tecnologias desenvolvidas pela Improbable Worlds Limited, empresa especializada em motores para jogos e ambientes virtuais.

Na definição de Naomi Hulme, co-CEO da Skyral, a ferramenta é “provavelmente um pouco mais Fortnite com esteroides”. Segundo ela, a companhia aproveitou recursos criados para mundos digitais e adaptou esses conceitos para o setor de defesa.

Se você trocar, por exemplo, magos por soldados e dragões por tanques, isso se torna realmente aplicável à defesa.

Naomi Hulme, co-CEO da Skyral, ao The Guardian.

A empresa chama sua solução de “digital twin”, ou gêmeo digital. O conceito começou sendo usado para criar modelos virtuais de máquinas, mas passou a representar sistemas maiores, como cidades e campos de batalha.

Cidade criada virtualmente utilizando o método de gêmeo digital
O conceito de ‘gêmeo digital’ saiu da indústria e agora ajuda militares a testar estratégias sem sair do ambiente virtual. – Imagem criada por inteligência artificial: Gemini/Olhar Digital

Simulações ajudam a avaliar impactos de decisões

O principal objetivo da Skyral é permitir que militares testem escolhas em um ambiente seguro antes de uma operação real. Um ataque contra uma rua movimentada, por exemplo, pode gerar efeitos diferentes de uma ação que interrompa o fornecimento de energia durante um período de frio intenso.

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Ainda existem poucos estudos sobre o impacto dessas ferramentas no treinamento militar. Pesquisas anteriores mostram que simuladores de voo podem melhorar o desempenho de pilotos, mas também indicam que ambientes virtuais têm limitações para reproduzir completamente a realidade.

Segundo Wiktor Dotter, CEO da Power Size Technologies, testar ideias em simulações pode facilitar decisões de alto custo.

“Você quer testar painéis solares no deserto? Pode fazer isso em uma simulação. Quer criar um tanque híbrido de batalha? Pode fazer isso aqui”, explicou.

A Skyral afirma que seu diferencial está em reunir diversos tipos de dados em um único ambiente, permitindo observar como uma alteração pode afetar diferentes áreas de um cenário.

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