Visitante interestelar 3I/ATLAS mudou de composição enquanto se aproximava do Sol

Visitante interestelar 3I/ATLAS mudou de composição enquanto se aproximava do Sol

cometa interestelar 3I/ATLAS, descoberto em julho de 2025 enquanto atravessava nosso Sistema Solar em alta velocidade, continua a surpreender os astrônomos. Novas observações feitas com o Telescópio Subaru, no Havaí, revelaram que a composição de sua coma — a nuvem de gás e poeira que envolve o núcleo — mudou significativamente à medida que o objeto se aproximava do Sol. A descoberta sugere que o interior do cometa pode ser diferente de sua superfície.

Em agosto de 2025, ainda antes de o cometa atingir seu ponto mais próximo do Sol (o periélio, em 29 de outubro), medições indicavam que o 3I/ATLAS tinha uma das maiores proporções de dióxido de carbono (CO2) em relação à água (H2O) já registradas em qualquer cometa — muito superior à média dos objetos do Sistema Solar.

Mas quando a equipe liderada por Yoshiharu Shinnaka, da Universidade Kyoto Sangyo, voltou a observar o cometa em janeiro de 2026, já após o periélio, o cenário havia mudado. A proporção de CO2 para H2O caiu drasticamente, ficando em um nível ainda acima da maioria dos cometas locais, mas comparável ao do segundo visitante interestelar conhecido, o 2I/Borisov.

Represntação artística do cometa interestelar 3I/ATLAS passando perto do Sol. Crédito: Imagem gerada por IA/Gemini

Camadas internas e externas diferentes

A explicação mais provável, segundo os pesquisadores, é que o cometa não é uniforme por dentro. A camada mais externa, exposta ao espaço interestelar por bilhões de anos, pode ser rica em CO2 e monóxido de carbono (CO). Ao ser aquecida pelo Sol, essa casca superficial liberou esses gases no início da aproximação. Já o material mais profundo, que só começou a escapar após o periélio, parece conter uma quantidade maior de gelo de água (H2O) e menos CO2.

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“Uma explicação plausível é a heterogeneidade radial dependente da profundidade”, escreveram os autores no artigo aceito para publicação no Astronomical Journal e disponível no arXiv.

Uma hipótese anterior, ainda não confirmada, sugere que raios cósmicos galácticos podem ter convertido monóxido de carbono em dióxido de carbono na superfície do cometa ao longo de cerca de um bilhão de anos, criando uma crosta irradiada e rica em orgânicos. Se for esse o caso, isso pode dificultar o estudo da composição original de objetos formados em outros sistemas estelares.

Cometa 3I/ATLAS Crédito: Muratart – Shutterstock

3I/ATLAS ainda carrega mistérios

O 3I/ATLAS é apenas o terceiro objeto interestelar identificado em nosso Sistema Solar, e os astrônomos esperam descobrir muitos outros nos próximos anos com o avanço dos telescópios de levantamento. “Aplicando as técnicas que desenvolvemos através de estudos de cometas do Sistema Solar aos objetos interestelares, agora podemos comparar diretamente cometas originários de dentro e fora do Sistema Solar”, disse Shinnaka.

Observações adicionais em diferentes distâncias do Sol, combinadas com modelagem termofísica, serão necessárias para confirmar se o 3I/ATLAS é realmente um objeto heterogêneo — e o que isso pode nos ensinar sobre os sistemas planetários distantes que ele um dia chamou de lar.

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