O 12º voo de teste da Starship garantiu avanços suficientes para sustentar o ímpeto por trás da abertura de capital (IPO) da SpaceX, empresa de Elon Musk atualmente avaliada em US$ 1,75 trilhão (aproximadamente R$ 9 trilhões). Mas o lançamento serviu de alerta sobre a reutilização total do foguete, que continua a ser um projeto em andamento.
O roadshow para o aguardado IPO está marcado para 4 de junho. E, se a oferta for bem-sucedida, poderá arrecadar até US$ 80 bilhões (R$ 403 bilhões), consolidando-se como a maior da história.
O desenvolvimento do “foguetão” Starship é apontado como um fator crucial para reduzir os custos de lançamento e expandir a rede de satélites Starlink. E também para viabilizar futuras missões tripuladas à Lua e a Marte, além de posicionar a companhia como uma provedora de infraestrutura de inteligência artificial (IA) orbital.
Teste da terceira versão da Starship reduz riscos de execução e valida interesse do mercado financeiro na SpaceX
O lançamento, ocorrido em 22 de maio, marcou a primeira viagem da iteração V3 da Starship. O maior foguete do mundo alcançou metas importantes, como a implantação de um grupo de satélites fictícios e o pouso controlado no Oceano Índico.
Contudo, o sistema falhou em executar o pouso planejado do propulsor Super Heavy, que caiu de forma desordenada no Golfo do México. O desenvolvimento desse ecossistema de transporte totalmente reutilizável e de alta capacidade de carga já consumiu mais de US$ 15 bilhões (R$ 76 bilhões) dos cofres da SpaceX.

“A SpaceX não precisava de perfeição neste voo da Starship. Ela precisava de provas de que o veículo atualizado está se movendo na direção certa, e isso é amplamente o que os investidores viram”, afirmou o CEO da SmartTech Research, Mark Vena, em entrevista à Reuters.
A leitura de analistas e gestores de fundos indica que o resultado prático mitigou o temor de entraves técnicos crônicos. “O que vimos com o lançamento da Starship é que ele reduziu o risco do cenário pessimista de que o foguete esteja preso num loop de falhas. Portanto, não elimina completamente o risco de execução. A menos que algo fosse seriamente catastrófico, não acho que mudaria muito as expectativas”, explicou o associado de pesquisa da MarketVector Indexes, Jesse Nacht, à agência de notícias.
Para o mercado, o progresso mensurável em direção à meta de reaproveitamento valida as projeções agressivas apresentadas pela diretoria no registro do IPO.

O intervalo de sete meses desde o voo experimental anterior impôs uma pressão cronológica para que a SpaceX demonstrasse serviço antes de ir a mercado. “O fracasso total teria sido problemático, o sucesso total teria desencadeado um entusiasmo enorme pelo IPO”, avaliou o parceiro e chefe de consultoria espacial da Analysys Mason, Antoine Grenier, à Reuters, classificando o desfecho como um “sucesso morno” que evitou questionamentos sobre o ritmo de execução da empresa.
A eficiência financeira da companhia no longo prazo depende da resolução definitiva dessas etapas. “A reutilização total é a chave para desbloquear custos de lançamento drasticamente mais baixos. É aí que reside o valor real”, disse o diretor de investimentos da firma britânica Seraphim Space, James Bruegger, à agência de notícias.
O escopo de avaliação dos investidores agora avança sobre a capacidade da SpaceX de colocar data centers de IA e computação no espaço. Para que essa divisão ganhe escala econômica e operacional, o foguete precisará atingir regularidade total, neutralizando riscos de novos atrasos que elevem os custos de implantação da próxima geração de infraestrutura.
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