WeatherMesh 6: IA promete prever o clima com precisão inédita

WeatherMesh 6: IA promete prever o clima com precisão inédita

Uma startup criada por estudantes de Stanford quer mudar a forma como o mundo acompanha a previsão do tempo. A WindBorne Systems lançou nesta semana o WeatherMesh 6, modelo de inteligência artificial que promete previsões mais rápidas e precisas do que sistemas tradicionais usados atualmente na Europa, explica o TechCrunch.

O novo sistema chamou atenção por desafiar diretamente o ECMWF, centro meteorológico europeu considerado uma das maiores referências globais em previsões climáticas. Segundo a empresa, o avanço veio da forma como os dados dos sensores são processados pela IA.

Pessoas com guarda-chuva
Startup americana usa IA e dados atmosféricos para melhorar previsões meteorológicas. Imagem: Paulo Pinto/Agência Brasil.

Como a IA está mudando a previsão do tempo

A WindBorne nasceu em 2019 com uma proposta bem mais simples: desenvolver balões meteorológicos modernos para vender dados climáticos. Só que a evolução dos modelos de inteligência artificial voltados à meteorologia acabou mudando os rumos da empresa.

Com a chegada dessas ferramentas em 2022, a startup decidiu criar também seu próprio modelo de previsão. O resultado foi o WeatherMesh, que chega agora à sexta versão trazendo melhorias importantes na precisão das análises.

O WeatherMesh 6 é tão preciso com cinco dias de antecedência quanto uma previsão tradicional é no dia anterior.

Kai Marshland, diretor de produtos da WindBorne Systems ao TechCrunch.

Outro ponto que chama atenção é a velocidade. Enquanto modelos tradicionais costumam gerar previsões a cada seis horas, o WeatherMesh 6 atualiza os dados de hora em hora. Em regiões como Europa e Estados Unidos continentais, a resolução alcança 3 quilômetros.

Sistema da WindBorne usa IA e dados atmosféricos para prever o tempo com mais eficiência. Imagem: Aree_S/Shutterstock

Balões viraram vantagem competitiva

Hoje, a empresa mantém cerca de 400 balões meteorológicos em operação simultânea, lançados de 15 locais ao redor do mundo. Esses equipamentos coletam dados atmosféricos continuamente e ajudam a alimentar o sistema de IA da companhia.

Boa parte da aposta da WindBorne está justamente aí: controlar a própria coleta de informações meteorológicas. Segundo John Dean, CEO da startup, esse diferencial pode ser decisivo no futuro do setor.

  • Previsões atualizadas a cada hora;
  • Resolução de até 3 km;
  • Cerca de 400 balões em operação;
  • Coleta de dados em 15 locais do mundo;
  • Modelo baseado em arquitetura Transformers.

“Pessoalmente, não entendo o modelo de negócios de uma empresa de meteorologia baseada em IA sem uma vantagem em termos de conjunto de dados”, disse Dean ao TechCrunch.

A empresa afirma que as melhorias mais recentes surgiram justamente da forma como esses dados são inseridos diretamente no modelo. Antes, grande parte dos sistemas de IA dependia de informações já processadas por órgãos como o ECMWF e a NOAA.

Balão Meteorológico
Balões meteorológicos coletam dados em tempo real para modelo de IA da WindBorne. Imagem: CC0/Px Here

Startup também enfrentou turbulência

A expansão da WindBorne passou por um episódio delicado no ano passado. Um avião da United Airlines colidiu com um dos balões da empresa durante um voo. Apesar do susto, ninguém ficou ferido e os danos foram leves.

Depois do incidente, a startup adicionou transponders ADS-B aos balões. O sistema transmite a localização em tempo real para redes globais de monitoramento aéreo, numa tentativa de reduzir o risco de novos acidentes.

Além do avanço tecnológico, a empresa também vem crescendo financeiramente. A WindBorne já captou US$ 25 milhões (cerca de R$ 125 milhões) e alcançou uma avaliação estimada em US$ 85 milhões (aproximadamente R$ 26 milhões) em 2024.

Hoje, a startup vende dados meteorológicos para a NOAA, além da Força Aérea e da Marinha dos Estados Unidos. A empresa também comercializa previsões para investidores e negociadores de commodities, embora continue priorizando o desenvolvimento do modelo e da infraestrutura de dados.

Com a inteligência artificial avançando rapidamente no setor meteorológico, empresas como a WindBorne tentam mostrar que previsões climáticas cada vez mais detalhadas podem chegar mais rápido, e depender menos dos sistemas tradicionais que dominaram essa área nas últimas décadas.

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