Webb descobre supernova que explodiu no primeiro bilhão de anos do Universo

Webb descobre supernova que explodiu no primeiro bilhão de anos do Universo

Um artigo disponível no servidor de pré-impressão arXiv, onde aguarda revisão de pares para publicação, descreve uma supernova extremamente distante descoberta pelo Telescópio Espacial James Webb (JWST), da NASA

Batizado de SN Eos, o objeto se refere a uma supernova do Tipo II que teria explodido quando o Universo tinha cerca de um bilhão de anos.

Uma supernova Tipo II que explodiu quando o Universo tinha cerca de um bilhão de anos foi descoberta pelo Telescópio Espacial James Webb (representado na ilustração acima). Crédito: Vadim Sadovski – Shutterstock

O que são supernovas do Tipo II

Supernovas são explosões estelares altamente energéticas que marcam o fim da vida de certas estrelas. Além de fornecerem elementos químicos mais pesados ao espaço, esses eventos ajudam os astrônomos a entender como estrelas e galáxias crescem e evoluem ao longo do tempo. Elas são divididas principalmente em dois grupos: Tipo I (sem hidrogênio em seus espectros) e Tipo II (com presença de hidrogênio).

No caso das supernovas do Tipo II, o fenômeno ocorre após o colapso do núcleo de estrelas massivas, geralmente com massas superiores a oito vezes a do Sol. Como podem brilhar mais do que toda a galáxia onde estão localizadas, essas explosões se tornam ferramentas importantes para estudar o Universo primordial e os estágios finais da evolução estelar.

Imagem obtida pelo JWST do aglomerado de galáxias MACS 1931.8-2635 contendo a supernova Eos. Crédito: NASA, ESA, CSA, D. Coulter (Johns Hopkins University) e a Colaboração VENUS

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Fenômeno previsto por Einstein permitiu descoberta

A SN Eos foi identificada por uma equipe liderada por David Coulter, da Universidade Johns Hopkins, nos EUA, utilizando um efeito previsto por Albert Einstein conhecido como lente gravitacional. A técnica amplifica a luz de objetos muito distantes ao passar por galáxias massivas no caminho, permitindo observar fontes que, de outra forma, seriam fracas demais para serem detectadas.

A supernova foi batizada de Eos em homenagem à titã da aurora na mitologia grega. Com um desvio para o vermelho espectroscópico de 5,133, ela está localizada em uma galáxia emissora de Lyman-alfa muito tênue. Isso significa que esta é a supernova espectroscopicamente confirmada mais distante já observada.

Os dados indicam que a explosão ocorreu em um ambiente com baixa presença de metais – menos de 10% do nível observado no Sol. A equipe observou que a emissão ultravioleta da supernova variava e aumentava com o tempo, comportamento típico de supernovas do Tipo IIP, conhecidas por permanecerem brilhantes por períodos prolongados após o pico inicial.

Os autores ressaltam que a SN Eos reforça um dos objetivos centrais do JWST: investigar as primeiras gerações de estrelas, a origem dos elementos e o surgimento das galáxias mais jovens do cosmos.

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