Zoom tinha falha que permitia invasão sem um único clique da vítima

Zoom tinha falha que permitia invasão sem um único clique da vítima

Uma falha crítica no Zoom poderia permitir que invasores assumissem o controle de dispositivos durante uma chamada. A vulnerabilidade foi descoberta pela A Security com menos de 20 comandos em modelos de inteligência artificial disponíveis publicamente, em um processo concluído em menos de 24 horas.

O problema estava relacionado ao recurso de anotações do aplicativo e não exigia clique, download ou qualquer outra ação da vítima. O Zoom já implementou correções para a vulnerabilidade.

Ao fundo, borrado, a tela do Zoom com várias pessoas na chamda; à frente, logo da empresa em um smartphone
O problema estava ligado ao recurso de anotações do Zoom, usado durante o compartilhamento de tela. Imagem: ymphotos/Shutterstock

Falha estava nas anotações do Zoom

O recurso de anotações permite que participantes desenhem na tela durante o compartilhamento. Foi nessa ferramenta que os pesquisadores encontraram uma falha de corrupção de memória.

Segundo a A Security, o Zoom processava automaticamente determinadas mensagens recebidas. Com uma mensagem especialmente preparada, um invasor poderia corromper a memória do dispositivo e executar código.

O ataque funcionava nos dois sentidos: um participante malicioso poderia atingir o apresentador, enquanto um apresentador comprometido poderia alcançar outros participantes. A vítima não precisaria clicar em nada.

A vulnerabilidade estava presente nas versões do Zoom até a 7.0.5 e, de acordo com os pesquisadores, afetava diferentes dispositivos e sistemas, incluindo:

A A Security também afirmou que clientes anteriores às versões 7.1.5 e à 7.0.6, quando utilizados com configurações de criptografia de ponta a ponta, continuavam vulneráveis.

IA acelerou a descoberta

O que chamou a atenção foi a velocidade do processo. A A Security afirma ter realizado desde a identificação da falha até a criação de um exploit funcional usando menos de 20 comandos em modelos de IA disponíveis publicamente, em menos de 24 horas.

Para Idan Levcovich, pesquisador de vulnerabilidades da A Security, esse tipo de exploração costumava exigir equipes especializadas, meses de trabalho e grandes recursos.

“Produzir um exploit funcional contra ele sempre foi um trabalho de Estado-nação: equipes de elite, meses de esforço, orçamentos que os governos regulam como armas”, escreveu Levcovich. “A A [Security] fez isso em um único dia, com um agente de IA e modelos que qualquer pessoa pode acessar atualmente.”

Na avaliação da empresa, a descoberta mostra como a inteligência artificial pode reduzir a barreira para desenvolver explorações sofisticadas.

Homem no computador sofrendo um ataque cibernético
A falha poderia permitir roubo de dados, ativação da câmera ou microfone e instalação de outros programas, sem que a vítima precisasse clicar em algo. – Imagem: VRVIRUS / Shutterstock

Zoom corrigiu o problema

A empresa de segurança informou que comunicou a vulnerabilidade ao Zoom em junho de 2026. As empresas trabalharam juntas, e a plataforma implementou correções no cliente e nos servidores antes da divulgação pública.

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As vulnerabilidades foram registradas como CVE-2026-53413, CVE-2026-53414 e CVE-2026-53415, todas com pontuação crítica de 9,0 no CVSS 4.0. O Zoom também publicou um alerta de segurança.

Se explorada, a falha poderia permitir o roubo de dados, a ativação da câmera ou do microfone e a instalação de outros programas maliciosos. Segundo a A Security, não havia indicação visual de que o dispositivo tivesse sido comprometido.

O caso mostra uma mudança no cenário de segurança digital: ferramentas de IA podem acelerar a descoberta de falhas e a criação de explorações. Para usuários e empresas, manter os aplicativos atualizados continua sendo uma medida importante diante desse tipo de ameaça.

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