Uma falha crítica no Zoom poderia permitir que invasores assumissem o controle de dispositivos durante uma chamada. A vulnerabilidade foi descoberta pela A Security com menos de 20 comandos em modelos de inteligência artificial disponíveis publicamente, em um processo concluído em menos de 24 horas.
O problema estava relacionado ao recurso de anotações do aplicativo e não exigia clique, download ou qualquer outra ação da vítima. O Zoom já implementou correções para a vulnerabilidade.

Falha estava nas anotações do Zoom
O recurso de anotações permite que participantes desenhem na tela durante o compartilhamento. Foi nessa ferramenta que os pesquisadores encontraram uma falha de corrupção de memória.
Segundo a A Security, o Zoom processava automaticamente determinadas mensagens recebidas. Com uma mensagem especialmente preparada, um invasor poderia corromper a memória do dispositivo e executar código.
O ataque funcionava nos dois sentidos: um participante malicioso poderia atingir o apresentador, enquanto um apresentador comprometido poderia alcançar outros participantes. A vítima não precisaria clicar em nada.
A vulnerabilidade estava presente nas versões do Zoom até a 7.0.5 e, de acordo com os pesquisadores, afetava diferentes dispositivos e sistemas, incluindo:
A A Security também afirmou que clientes anteriores às versões 7.1.5 e à 7.0.6, quando utilizados com configurações de criptografia de ponta a ponta, continuavam vulneráveis.
IA acelerou a descoberta
O que chamou a atenção foi a velocidade do processo. A A Security afirma ter realizado desde a identificação da falha até a criação de um exploit funcional usando menos de 20 comandos em modelos de IA disponíveis publicamente, em menos de 24 horas.
Para Idan Levcovich, pesquisador de vulnerabilidades da A Security, esse tipo de exploração costumava exigir equipes especializadas, meses de trabalho e grandes recursos.
“Produzir um exploit funcional contra ele sempre foi um trabalho de Estado-nação: equipes de elite, meses de esforço, orçamentos que os governos regulam como armas”, escreveu Levcovich. “A A [Security] fez isso em um único dia, com um agente de IA e modelos que qualquer pessoa pode acessar atualmente.”
Na avaliação da empresa, a descoberta mostra como a inteligência artificial pode reduzir a barreira para desenvolver explorações sofisticadas.

Zoom corrigiu o problema
A empresa de segurança informou que comunicou a vulnerabilidade ao Zoom em junho de 2026. As empresas trabalharam juntas, e a plataforma implementou correções no cliente e nos servidores antes da divulgação pública.
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As vulnerabilidades foram registradas como CVE-2026-53413, CVE-2026-53414 e CVE-2026-53415, todas com pontuação crítica de 9,0 no CVSS 4.0. O Zoom também publicou um alerta de segurança.
Se explorada, a falha poderia permitir o roubo de dados, a ativação da câmera ou do microfone e a instalação de outros programas maliciosos. Segundo a A Security, não havia indicação visual de que o dispositivo tivesse sido comprometido.
O caso mostra uma mudança no cenário de segurança digital: ferramentas de IA podem acelerar a descoberta de falhas e a criação de explorações. Para usuários e empresas, manter os aplicativos atualizados continua sendo uma medida importante diante desse tipo de ameaça.
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