A Fundação AlmaLinux disponibilizou para testes o AlmaLinux OS 9.9 Beta, conhecido pelo codinome Chartreuse Bobcat. Direcionada a arquiteturas x86_64, aarch64, ppc64le e s390x, a versão prepara o terreno para a próxima atualização estável voltada a servidores e ambientes corporativos. O destaque do lançamento é a manutenção de uma postura independente em relação ao upstream, preservando correções de desempenho ausentes no próprio Red Hat Enterprise Linux (RHEL).
A atualização traz pacotes modernos, como o GCC Toolset 16 e Node.js 26, além de mudanças no comportamento padrão de ferramentas de segurança e autenticação que exigirão atenção dos administradores de sistemas.
Independência e otimização no Kernel Linux
Distanciando-se do conceito de ser apenas uma cópia exata do RHEL, o AlmaLinux 9.9 Beta continua incluindo o backport de uma correção específica no Kernel Linux (patch d919a1e79bac). Essa modificação resolve uma falha de concorrência no diretório /proc, que causava consumo excessivo de CPU pelos processos do systemd e do comando ps durante a limpeza de tarefas.
A equipe do AlmaLinux já havia submetido essa correção ao repositório do CentOS Stream 9, mas a inclusão foi adiada pelos desenvolvedores upstream. O comitê técnico do projeto (ALESCo) votou para aprovar a aplicação imediata do patch desde a versão 9.8. Como o futuro RHEL 9.9 ainda não incorporou a correção, o AlmaLinux mantém a alteração nesta versão de testes para garantir a estabilidade e fluidez do sistema. A versão base do kernel distribuída é a 5.14.0-741.el9.
O que muda na prática para administradores

A atualização introduz duas mudanças significativas que podem impactar configurações existentes:
O daemon fapolicyd, responsável pelo controle de políticas de acesso a arquivos, saltou da versão 1.4.5 para a 2.0.1. Por se tratar de um avanço de versão maior, o novo código atua diretamente no caminho de execução dos binários. Administradores que utilizam sistemas fortificados precisarão testar novamente suas regras de acesso e bancos de dados de confiança antes de levar a versão final para produção.
Outra alteração relevante ocorre no authselect. O comportamento de mesclagem de grupos no arquivo nsswitch.conf, introduzido na versão 9.8, deixou de ser o padrão. Sistemas que dependem da união entre grupos locais e remotos agora exigem a ativação explícita do recurso por meio da opção with-group-merging.
Ferramentas de desenvolvimento e novos pacotes
O repositório do AlmaLinux 9.9 Beta renova o ambiente de programação com o GCC Toolset 16, fornecendo o gcc 16.2.1 e o binutils 2.46, que coexistirão com o GCC Toolset 15. As suítes do LLVM e do Rust foram atualizadas para as versões 22.1.8 e 1.97.1, respectivamente.
O sistema também adiciona novos pacotes de linguagens e ferramentas:
- Módulos de Node.js 26 e PHP 8.4;
- Versão prévia do .NET 11;
- Intel QPL 1.9.0 e oci-delta 0.3.0.
No ecossistema de contêineres e virtualização, os componentes foram alinhados às tecnologias mais recentes, incluindo Podman 5.8.5, Buildah 1.43.2, crun 1.29.1 e QEMU-KVM 10.1.0. A camada de segurança base do sistema recebeu atualizações importantes com o SELinux-policy 38.1.86, SSSD 2.9.9 e audit 3.1.5-9.
Como testar a versão Beta
O AlmaLinux 9.9 Beta pode ser instalado a partir de imagens ISO completas, compactas ou de instalação por rede, disponíveis nos espelhos oficiais. Quem já possui instâncias de teste pode realizar a atualização alterando os repositórios para a versão beta correspondente.
Por ser um lançamento destinado a homologação e descoberta de falhas, a instalação não é recomendada em servidores de produção. Relatórios de problemas devem ser enviados ao rastreador oficial de bugs do projeto para correção antes do lançamento da versão estável.